17/Mar/2026
Segundo avaliação da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), o conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel não representa, até o momento, risco de desabastecimento de produtos químicos no Brasil. A entidade afirma que a oferta internacional permanece ampla e que a indústria química brasileira possui cerca de 40% de capacidade produtiva ociosa, o que permite responder rapidamente a eventuais oscilações de mercado. De acordo com a associação, os principais impactos do conflito ocorrem de forma indireta, sobretudo por meio da elevação dos custos de energia, da volatilidade no mercado de fertilizantes e das mudanças nas rotas do comércio marítimo internacional. A entidade destaca que o Irã produz aproximadamente 3,5 milhões de barris de petróleo por dia e que o Estreito de Ormuz concentra cerca de 20% da oferta global e aproximadamente 25% do comércio marítimo de petróleo.
Eventuais restrições prolongadas ao tráfego na região tendem a pressionar as cotações do petróleo tipo Brent crude oil e elevar o custo da nafta petroquímica, principal insumo utilizado pela indústria química brasileira. Embora o Brasil seja exportador líquido de petróleo, o país permanece importador líquido de derivados como diesel, GLP e nafta. Nesse contexto, a alta do petróleo tende a elevar custos industriais, fretes internacionais e pressões inflacionárias. O impacto mais imediato do conflito, contudo, concentra-se no mercado de fertilizantes nitrogenados. O Irã figura entre os principais exportadores globais de produtos como ureia e amônia, e a instabilidade na região do Golfo vem provocando forte volatilidade nos preços. Desde o início do conflito, o preço da ureia no Brasil já registra alta superior a 33%. A elevada dependência externa também aumenta a vulnerabilidade do País. O Brasil importa cerca de 85% dos fertilizantes consumidos internamente, o que expõe o mercado doméstico a choques de preços e a eventuais interrupções logísticas no comércio internacional.
Além disso, as ameaças à navegação no Estreito de Ormuz vêm provocando mudanças operacionais relevantes no transporte marítimo global, incluindo elevação do custo do gás natural, aumento dos fretes e dos prêmios de seguro marítimo, além de reconfiguração de rotas logísticas. Entre os cenários avaliados pela associação, o considerado mais provável é o de um conflito limitado, com alta temporária do petróleo, volatilidade cambial moderada e impacto inflacionário administrável. No entanto, a entidade também considera a possibilidade de restrições prolongadas ao tráfego no Estreito de Ormuz, cenário que poderia intensificar a pressão sobre fertilizantes nitrogenados e elevar custos logísticos. Em um cenário mais adverso, de escalada regional ampla, haveria risco de choque energético prolongado, redesenho das cadeias globais de suprimento e impactos mais relevantes para a indústria química internacional. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.