28/Apr/2026
A Case IH está apresentando na 31ª Agrishow, em Ribeirão Preto (SP), os avanços de seus projetos de máquinas agrícolas movidas a etanol, com foco inicial no setor sucroenergético e perspectiva de expansão para a agricultura de grãos. Executivos da companhia destacaram que a tecnologia, ainda em fase de testes, já vem sendo testada em condições reais de campo e pode chegar ao mercado nos próximos anos, “mas nos próximos poucos anos”, garantiu o gerente de marketing tático da Case IH, Nilton Righi. Segundo ele, o desenvolvimento do maquinário movido ao biocombustível começou em 2024 com um motor conceito 100% nacional aplicado inicialmente em uma colhedora de cana de duas linhas (sistema de colheita que permite retirar a cana de duas linhas de plantio ao mesmo tempo), escolhida justamente por operar nas condições mais severas do campo. “A máquina trabalhou o ano todo com motor a etanol, colheu a safra toda sem interrupções, e os resultados até agora têm sido satisfatórios, o que nos anima a continuar os trabalhos”, afirmou.
Na sequência, a empresa também incorporou ao portfólio de testes o trator Puma movido a etanol, que operou lado a lado com a colhedora e acumulou cerca de 800 horas na última safra (2024/25). Agora, a tecnologia avança para uma colhedora de uma linha, modelo mais vendido no mercado. De acordo com Righi, a empresa já atingiu a potência desejada e adicionou um sistema exclusivo de pós-tratamento com catalisadores, montado em motor ciclo Otto adaptado ao etanol. “Hoje, poderíamos vender essa máquina para qualquer lugar da Europa ou dos Estados Unidos (já que é equipada com catalisadores, exigência desses mercados)”, disse. Além do segmento agrícola, a Case também está levando a solução para as máquinas de construção. Conforme o gerente de marketing de produto da Case Construction, Anderson Nascimento, a empresa desenvolveu uma pá-carregadeira movida a etanol voltada principalmente para usinas sucroalcooleiras.
Segundo ele, o equipamento permitirá redução de custos operacionais, já que poderá ser abastecido com o próprio combustível produzido na unidade industrial. “Vamos ter o trator, a colhedora de cana e a pá-carregadeira operando com etanol dentro da própria usina”, destacou. A companhia também observa o avanço do etanol de milho no Centro-Oeste e avalia expandir os testes para máquinas voltadas à produção de grãos, além da cana-de-açúcar. Segundo Righi, antes do advento do etanol de milho, adotar o biocombustível em maquinários de grãos seria inviável, situação que agora está se invertendo, com as usinas de etanol de milho no Centro-Oeste. Apesar do avanço, os executivos reforçaram que os equipamentos ainda não estão sendo comercializados e seguem em fase de validação de campo. A previsão é de que as primeiras máquinas cheguem ao mercado nos próximos anos, embora ainda sem uma data definida oficialmente. Fonte: Broadcast Agro.