28/Apr/2026
A elevação dos preços dos fertilizantes no mercado internacional, impulsionada pelo conflito no Oriente Médio, intensificou a pressão sobre os custos de produção no Brasil e deteriorou as relações de troca do produtor rural. A dependência de importações tem amplificado o impacto no mercado doméstico, com destaque para os fertilizantes nitrogenados. Levantamento da StoneX indica que, desde o início do conflito, os preços CFR da ureia registraram alta de 63% no Brasil. No mesmo período, o sulfato de amônio (SAM) acumulou valorização de 30%, enquanto o nitrato de amônio (NAM) avançou 60%, refletindo a restrição de oferta global e a elevação dos custos logísticos e energéticos.
A escalada da ureia impacta diretamente a relação de troca para o milho, com a necessidade atual de aproximadamente 60 sacas do cereal para aquisição de uma tonelada do insumo, configurando deterioração das margens do produtor. No caso da soja, o aumento dos custos também pressiona a aquisição de fertilizantes fosfatados, levando a uma postura mais cautelosa na demanda. O ambiente de preços elevados e volatilidade tem levado produtores a postergar decisões de compra, especialmente às vésperas da principal janela de aquisição, concentrada no segundo semestre, antes da safra de verão (1ª safra 2026/2027).
Nas últimas semanas, o comportamento predominante tem sido defensivo, com foco na gestão de custos e na redução de exposição ao risco. Com o avanço do calendário agrícola, a tendência é de necessidade de decisão entre absorção dos custos mais elevados ou ajustes no pacote tecnológico, incluindo eventual redução na aplicação de insumos. Esse movimento pode gerar impactos diretos sobre a produtividade das lavouras. O cenário permanece condicionado à evolução do conflito no Oriente Médio, fator determinante para a dinâmica de oferta e preços no mercado global de fertilizantes, com reflexos diretos sobre a demanda e o planejamento produtivo no Brasil. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.