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04/May/2026

Máquinas: renegociação e crédito favorecem demanda

A Baldan Implementos Agrícolas vê uma melhora no "humor" do produtor após anúncios recentes do governo voltados ao endividamento rural e ao crédito. O anúncio do governo federal, de recursos de R$ 80 bilhões para renegociação de dívidas do setor rural, pode ajudar a destravar expectativas ao longo do ano. O assunto foi endereçado. Isso já mostra um direcionamento muito sólido de um dos grandes problemas que o agro convive hoje, que é o endividamento. A possibilidade de readequação das dívidas à realidade atual de preços das commodities e custos tende a ter efeito direto sobre a demanda por máquinas e implementos. Com a situação de pagamento melhor ajustada, o produtor pode retomar o investimento em maquinário e equipamentos. Isso vem com efeito direto para a indústria. Também é positivo o anúncio, pelo vice-presidente, Geraldo Alckmin, de uma linha de crédito para máquinas com juros mais baixos, ligada à Finep e com recursos de R$ 10 bilhões.

Embora ainda não haja definição sobre as condições dessa linha e o setor venha aguardando por isso. O anúncio é "outro sinalizador importante". Claro que ainda tem o desafio da operacionalização, mas a urgência da situação faz a gente acreditar em uma implementação mais rápida. Apesar do cenário difícil para o produtor este ano, há uma demanda reprimida no campo, decorrente da postergação de investimentos nos últimos anos. A produtividade começa a acusar quando não se renova o parque de máquinas. Ao mesmo tempo, uma parcela relevante dos produtores segue capitalizada. A maioria de produtores está absolutamente em dia com seus pagamentos. Nesse contexto, a Baldan tem ampliado alternativas ao crédito tradicional, como consórcio, financiamento próprio e operações de barter. A Baldan foi a primeira empresa de implementos a instituir o barter. O produtor pode pagar com sacas de soja ou milho, respeitando a sazonalidade da lavoura.

Sobre o crédito para investimento, o nível elevado das taxas de juros continua sendo um dos principais entraves, especialmente em equipamentos de maior valor. Máquinas grandes, com muita tecnologia, pressupõem financiamento. É aí que a taxa de juros pesa mais. Em momentos de maior restrição financeira, o produtor tende a priorizar investimentos de menor tíquete. Investe mais em preparo de solo e equipamentos essenciais, enquanto posterga itens maiores. Esse movimento favorece segmentos como peças de reposição e implementos mais básicos, conferindo resiliência ao negócio da companhia. No lado da indústria, a guerra no Oriente Médio elevou custos para as empresas montadoras de máquinas agrícolas, principalmente via fretes internacionais. O frete global subiu (marítimo, aéreo e rodoviário) e isso afeta diretamente os custos. Ressalta-se a dificuldade de repassar esses aumentos em um mercado já pressionado.

Entre as apostas para impulsionar as vendas estão lançamentos, como pulverizadores autopropelidos, incluindo um modelo voltado ao setor sucroenergético, e uma nova plantadeira focada em precisão e eficiência energética. A Baldan projeta manter faturamento próximo de R$ 800 milhões em 2026 e segue executando um plano estratégico com horizonte de cinco anos, que inclui mais de 80 iniciativas de desenvolvimento de produtos. A empresa avalia oportunidades de aquisições, mas ressaltou que o custo de capital elevado tem limitado operações de fusões e aquisições no setor. O desafio é estar capitalizado com um custo de capital palatável. Por isso as operações de M&A caíram bastante. Mesmo assim, a visão é positiva para o longo prazo. O Brasil é o país da agricultura, com capacidade de expandir produção e atender o crescimento populacional global. Isso continua atraindo capital e sustentando as perspectivas do setor. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.