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05/May/2026

Máquinas: setor de seguros prevê expansão em 2026

Segundo o Bradesco, a expansão do seguro para máquinas agrícolas deve permanecer na casa de dois dígitos em 2026, mesmo em um ambiente de mercado mais contido para a comercialização de equipamentos. A expectativa é sustentada pelo avanço da cultura de proteção no campo e pela ampliação da base segurada. O cenário do setor agropecuário segue pressionado por juros elevados, aumento de custos e efeitos geopolíticos sobre insumos e logística. Ainda assim, há percepção de proximidade do fundo do ciclo, com expectativa de recuperação ao longo do próximo ano, a partir da avaliação de agentes do setor e produtores rurais.

Um dos principais vetores de crescimento do mercado de seguros agro é a baixa penetração no Brasil. Enquanto nos Estados Unidos cerca de 90% da produção agrícola conta com algum tipo de proteção, no Brasil esse percentual gira em torno de 15%. A projeção indica potencial de avanço para níveis próximos de 50% ao longo de dez anos, considerando seguros de lavouras, máquinas e equipamentos, condicionado principalmente à evolução da cultura de gestão de risco no campo. Os dados indicam crescimento consistente do segmento, mesmo em um contexto de estabilidade nas vendas de máquinas. Em 2025, a carteira de equipamentos agrícolas avançou 14%, com expansão acumulada de 141% desde 2020.

No período, cerca de 63 mil máquinas estavam seguradas, com aumento de quase 10% em relação a 2024. O desempenho reflete crescimento tanto em prêmios quanto em volume de itens segurados, indicando maior penetração do seguro no setor. Para 2026, a expectativa é de manutenção desse ritmo de expansão, mesmo diante de perspectiva de estabilidade ou retração nas vendas de equipamentos. A estratégia comercial integra a oferta de crédito e seguro, com condições diferenciadas para equipamentos financiados, incluindo desconto médio de 15% nas apólices e contratação no momento da aquisição, o que tende a elevar a adesão.

A atuação também envolve ampliação da rede de corretores especializados e iniciativas de educação financeira e securitária, com foco na disseminação do seguro como instrumento de proteção patrimonial. Na composição da carteira, os tratores concentram mais de 50% dos equipamentos segurados, seguidos por colheitadeiras, pulverizadores e plantadeiras. No campo de riscos, a principal causa de sinistros está associada à perda total por incêndio, comum em operações sob altas temperaturas e uso intensivo durante a safra. O roubo de máquinas também apresenta crescimento, com aumento de aproximadamente 40% nos registros em 2025 na comparação anual.

As taxas de seguro vêm apresentando redução diante do aumento da concorrência e da pressão sobre a rentabilidade do produtor. Os custos atuais situam-se entre 0,85% e 0,9% do valor de colheitadeiras e entre 0,55% e 0,6% para tratores. As seguradoras também ampliam a flexibilidade nas condições de pagamento, com parcelamentos e prazos estendidos, facilitando a contratação. Apesar do avanço, o mercado brasileiro ainda enfrenta desafios estruturais relacionados à difusão da cultura de seguros. A ampliação da percepção do seguro como instrumento de proteção financeira e continuidade operacional é considerada fator central para sustentar o crescimento do segmento no médio e longo prazo. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.