01/Jun/2026
Segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), a receita líquida das vendas de máquinas e implementos agrícolas somou R$ 4,21 bilhões em abril, queda de 22,2% em relação ao mesmo período de 2025. No acumulado de janeiro a abril, o faturamento do setor atingiu R$ 17,07 bilhões, retração de 17,9% na comparação anual. O desempenho mais fraco do mercado doméstico ocorre em meio à combinação de juros elevados, restrição de crédito, alta inadimplência no setor agropecuário e redução da rentabilidade do produtor rural. As exportações de máquinas e implementos agrícolas alcançaram US$ 160,1 milhões em abril, avanço de 18,8% sobre igual mês do ano passado. No acumulado dos quatro primeiros meses de 2026, os embarques somaram US$ 583 milhões, crescimento de 20,1% em relação ao mesmo intervalo de 2025.
As importações recuaram 19,3% em abril, para US$ 106,76 milhões. Entre janeiro e abril, as compras externas totalizaram US$ 390,95 milhões, queda de 9,6% na comparação anual. No mercado interno, as vendas de tratores ao usuário final totalizaram 3.639 unidades em abril, retração de 4,2% frente ao mesmo mês de 2025. As vendas de colheitadeiras registraram queda mais intensa, de 33,6%, com 176 unidades comercializadas, ante 265 unidades em abril do ano passado. No comércio exterior, as exportações de tratores cresceram 54,2%, passando de 321 unidades em abril de 2025 para 495 unidades em abril de 2026. Os embarques de colheitadeiras avançaram 50%, de 18 para 27 unidades no período. A desvalorização do dólar frente ao Real tem reduzido a competitividade e impactado os preços internos das máquinas agrícolas. Além disso, o ambiente de juros elevados continua limitando os investimentos dos produtores, que priorizam recursos para custeio da safra em detrimento da aquisição de equipamentos.
O setor também monitora os efeitos do conflito no Oriente Médio sobre os custos de diesel e fertilizantes, fatores que pressionam a rentabilidade agrícola e reduzem a capacidade de investimento do produtor rural. Outro ponto de atenção permanece sendo a inadimplência elevada no campo, que amplia as restrições de crédito e dificulta o financiamento de máquinas e implementos. O setor acompanha ainda as discussões no Senado relacionadas à renegociação das dívidas rurais, consideradas relevantes para eventual melhora do ambiente financeiro do agronegócio. A perspectiva da indústria segue negativa para 2026. A expectativa inicial de retração de 8% nas vendas poderá ser revisada para baixo após a definição do próximo Plano Safra, diante da ausência de sinais consistentes de recuperação da demanda no curto prazo. Fonte: Globo Rural. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.