02/Jun/2026
De acordo com o Boletim Logístico de maio divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), os custos operacionais do transporte agropecuário permaneceram elevados nas principais regiões produtoras do Brasil, sustentando os preços dos fretes em níveis superiores aos observados no mesmo período de 2025. A avaliação aponta o diesel e demais insumos logísticos como os principais fatores de pressão sobre o setor. O comportamento dos fretes apresentou variações entre março e abril em função do avanço da colheita da primeira safra e das características regionais de oferta e demanda por transporte. Apesar dessas oscilações, os valores permaneceram acima dos registrados há um ano, refletindo a manutenção dos custos operacionais em patamares elevados. O combustível continua sendo o principal componente de sustentação dos preços.
Embora medidas adotadas pelo governo federal, como a desoneração tributária sobre o diesel, tenham contribuído para reduzir parte dos impactos da valorização internacional do petróleo e das tensões geopolíticas no Oriente Médio, os efeitos não foram suficientes para promover uma redução significativa dos custos de transporte. Em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, os fretes permaneceram praticamente estáveis, sustentados pelo elevado volume de grãos em circulação e pela continuidade dos embarques destinados ao mercado externo. Em Goiás, houve recuo mensal nas cotações, mas os custos do diesel ainda permanecem cerca de 15% acima dos níveis observados no mesmo período do ano passado. No Distrito Federal, os preços apresentaram alta em todas as rotas monitoradas. Já no Paraná, foram registradas variações pontuais, com aumento da pressão sobre os custos em corredores logísticos específicos.
Na Bahia, os fretes avançaram nas regiões produtoras de culturas de primavera-verão, enquanto apresentaram comportamento mais fraco nas áreas voltadas à produção de outono-inverno. No Maranhão, a intensificação da colheita da soja ampliou a movimentação de cargas, mas os preços dos fretes recuaram na maior parte das rotas. No Piauí, o mercado de transporte foi favorecido pelo aumento dos embarques de soja para exportação, embora as tarifas tenham permanecido estáveis em razão da redução dos preços dos combustíveis. Em São Paulo, a Conab observou leve recuo nos fretes durante abril após a forte valorização registrada em março. O movimento foi atribuído à combinação entre políticas de subvenção e desoneração do diesel, que ajudaram a compensar parcialmente a maior demanda por transporte gerada pelo fluxo de exportações agrícolas. O cenário indica que a logística continuará sendo um dos principais fatores de custo para o agronegócio brasileiro nos próximos meses, especialmente em regiões com elevada movimentação de grãos e forte participação nas exportações. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.