02/Jun/2026
Segundo o estudo FarmTrak Soja, o mercado brasileiro de defensivos agrícolas utilizados na cultura da soja movimentou US$ 10,05 bilhões na safra 2025/26, crescimento de 6% em relação aos US$ 9,45 bilhões registrados no ciclo anterior. O avanço foi impulsionado pela ampliação da área cultivada e pelo aumento da intensidade de tratamentos fitossanitários nas lavouras, embora tenha sido parcialmente limitado pela desvalorização do real frente ao dólar durante o período de aquisição dos insumos. A área plantada com soja nas regiões monitoradas pela Kynetec Brasil avançou 1,5%, superando 47 milhões de hectares. Ao mesmo tempo, a intensidade média de tratamentos aumentou de 30,5 para 33,2 aplicações por ciclo, alta próxima de 9%. O resultado reflete um manejo mais intensivo das lavouras, com maior número de intervenções ao longo da safra.
Como consequência, a área potencial tratada alcançou 1,563 bilhão de hectares, crescimento de 11% frente aos 1,414 bilhão de hectares da safra 2024/25. O indicador considera o total acumulado de aplicações realizadas durante o ciclo produtivo, incluindo fungicidas, herbicidas, inseticidas, tratamentos de sementes e outros produtos utilizados no manejo da cultura. Segundo levantamento da Kynetec, o impacto cambial reduziu o potencial de crescimento do setor. A valorização do dólar frente ao Real durante o período de comercialização dos insumos gerou efeito negativo estimado em 4,5% sobre o desempenho geral do mercado de defensivos. A evolução do segmento ao longo dos últimos anos evidencia a crescente relevância da proteção fitossanitária na produção de soja. O mercado passou de US$ 5,92 bilhões na safra 2020/21 para US$ 10,05 bilhões em 2025/26.
Em moeda nacional, o valor movimentado aumentou de R$ 31,33 bilhões para R$ 56,10 bilhões no mesmo período. Os fungicidas permaneceram como a principal categoria de defensivos utilizados na oleaginosa, respondendo por 39% do mercado, equivalente a US$ 3,95 bilhões. Os herbicidas ocuparam a segunda posição, com participação de 24% e movimentação de US$ 2,46 bilhões. Os inseticidas representaram 23% do mercado, com US$ 2,28 bilhões. Os demais segmentos, que incluem tratamentos de sementes, nematicidas, adjuvantes e inoculantes, somaram US$ 1,37 bilhão, correspondendo a 14% do mercado total de defensivos destinados à cultura da soja. O investimento médio por aplicação permaneceu praticamente estável entre as duas últimas safras. O valor unitário passou de R$ 35,61 por hectare tratado em 2024/25 para R$ 35,89 por hectare em 2025/26.
O principal destaque da temporada foi o mercado de nematicidas. O segmento registrou crescimento de 28% em valor, alcançando US$ 320 milhões e participação de 3,2% no mercado total de defensivos para soja. Em reais, o avanço foi de 34%, totalizando R$ 1,79 bilhão. Os nematoides são organismos presentes no solo que atacam o sistema radicular das plantas e podem provocar perdas significativas de produtividade. O aumento da conscientização dos produtores sobre os riscos associados à praga tem impulsionado a adoção desses produtos. Na comparação anual, a área potencial tratada com nematicidas cresceu 40%, passando de 22,51 milhões para 31,46 milhões de hectares. Em uma análise de longo prazo, o segmento expandiu-se de US$ 94 milhões na safra 2020/21 para US$ 320 milhões em 2025/26. No mesmo período, a área potencial tratada avançou de 8,01 milhões para 31,46 milhões de hectares.
O estudo também identificou maior adoção de cultivares de soja com características de tolerância ou resistência aos nematoides. Essas variedades ocuparam 31% da área plantada na safra 2025/26, ante 27% na temporada 2021/22. A adoção dos nematicidas apresenta diferenças regionais relevantes. Em Goiás, Mato Grosso, Rondônia e na região do Matopiba, formada por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, a utilização desses produtos supera 60% da área cultivada. No Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, a participação permanece próxima de 10%. O estudo FarmTrak Soja foi elaborado com base em mais de 3.725 entrevistas presenciais realizadas com produtores em toda a fronteira agrícola brasileira. Os resultados indicam continuidade do processo de intensificação tecnológica das lavouras, com crescente adoção de ferramentas de manejo voltadas à proteção da produtividade e à mitigação de riscos fitossanitários. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.