03/Jun/2026
O governo federal precisará realizar cerca de dois leilões de rodovias por mês no segundo semestre para cumprir a meta de 13 certames previstos para 2026. A programação reúne novos projetos e repactuações de contratos existentes em um cenário de restrições orçamentárias para os órgãos responsáveis pela estruturação e regulação das concessões. Até o início de junho, apenas dois projetos haviam sido levados a leilão: Rotas Gerais, em Minas Gerais, e Rota dos Sertões, abrangendo trechos em Pernambuco e Bahia. Com isso, aproximadamente 85% da carteira prevista para o ano permanece concentrada na segunda metade de 2026. A retomada da agenda está prevista para julho, com o leilão da concessão da BR-116 entre São Paulo e Paraná, conhecida como Régis Bittencourt, único certame que possui data oficialmente definida até o momento.
Caso a programação seja integralmente executada, o Ministério dos Transportes repetirá o recorde de 13 leilões alcançado em 2025. No ano passado, cinco disputas ocorreram até junho, enquanto outras oito foram realizadas no segundo semestre. Além da Régis Bittencourt, a carteira inclui projetos como a Rota 2 de Julho, relacionada à antiga concessão da ViaBahia, a Rota Vale do Café e os lotes 1 e 3 das Rodovias Integradas de Santa Catarina. Também estão previstas repactuações de contratos, incluindo Arco Norte e Transbrasiliana. Especialistas avaliam que há condições para o cumprimento da meta, embora a execução exija aceleração dos cronogramas de modelagem, análise e aprovação dos projetos. A avaliação predominante é de que a qualidade da estruturação dos contratos será mais relevante para o sucesso das concessões do que o volume de certames realizados.
O interesse dos investidores permanece elevado. Os leilões realizados nos últimos anos registraram forte concorrência e atraíram novos grupos nacionais e internacionais para o setor rodoviário. Nesse contexto, os principais desafios estão associados à preparação dos projetos, à obtenção das aprovações necessárias e à capacidade operacional dos órgãos públicos envolvidos. O avanço da agenda ocorre em meio a contingenciamentos orçamentários. O governo federal bloqueou R$ 8,3 bilhões em recursos de áreas ligadas à infraestrutura para atender às metas fiscais. O Ministério dos Transportes teve R$ 1,7 bilhão contingenciado, enquanto a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) sofreu redução de R$ 56 milhões em recursos destinados às atividades regulatórias. As repactuações de concessões adicionam um componente extra de complexidade ao cronograma.
Das 11 concessões rodoviárias previstas para este ano, cinco envolvem contratos existentes, cujos processos dependem de negociações entre concessionárias, governo e órgãos de controle antes da realização de novas disputas. Apesar da proximidade do calendário eleitoral, especialistas avaliam que o ambiente político não deve comprometer a agenda de concessões. Como muitos projetos já se encontram em estágio avançado de estruturação, a expectativa é de continuidade dos processos e até de aceleração das entregas antes do período eleitoral. A existência de uma carteira robusta de projetos para os próximos anos também contribui para reduzir riscos de descontinuidade. O setor avalia que a agenda de concessões rodoviárias permanece como um dos principais instrumentos para ampliar investimentos em infraestrutura logística e melhorar a competitividade do transporte de cargas no País. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.