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03/Jun/2026

Máquinas: setor pode antecipar embarques aos EUA

O período entre o anúncio da tarifa adicional de 25% proposta pelos Estados Unidos e sua possível entrada em vigor, prevista para meados de julho, deve estimular uma antecipação das exportações brasileiras para o mercado norte-americano. A avaliação é da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), que projeta aumento dos embarques enquanto as vendas ainda permanecem livres da sobretaxa. A entidade avalia que o intervalo até a decisão final abre uma janela comercial para que empresas acelerem entregas destinadas aos Estados Unidos, buscando reduzir os impactos da eventual elevação dos custos de acesso ao mercado norte-americano. Ao mesmo tempo, o setor registra crescimento das exportações para outros destinos. Entre os destaques estão os embarques para Singapura, impulsionados por equipamentos ligados à cadeia de óleo e gás e a plataformas offshore, além do avanço das vendas para a Argentina, favorecidas pela recuperação da atividade econômica do país vizinho. As exportações brasileiras de máquinas alcançaram US$ 13,2 bilhões em 2025.

Considerando o acumulado de 12 meses encerrado em março de 2026, o valor exportado chegou a US$ 14,4 bilhões. A entidade destaca que, durante a rodada anterior de tarifas impostas pelos Estados Unidos, o impacto sobre a receita do setor foi menor do que a redução observada nos volumes embarcados. Antes das sobretaxas, o Brasil exportava pouco menos de US$ 4 bilhões em máquinas para os Estados Unidos e importava volume semelhante, mantendo saldo comercial ligeiramente negativo. Após a adoção das tarifas, houve retração dos embarques, mas a receita das exportações apresentou redução mais moderada. A avaliação é que parte das empresas conseguiu repassar custos e preservar margens, mesmo com menor volume negociado. O setor também observa que uma parcela relevante das exportações para os Estados Unidos envolve operações entre matrizes e subsidiárias. Nesse contexto, o aumento dos custos pode levar ao adiamento de investimentos e à reorganização das cadeias produtivas, afetando tanto empresas brasileiras quanto norte-americanas.

Apesar de considerar provável a implementação da tarifa adicional em meados de julho, a Abimaq defende a continuidade das negociações entre os governos e a atuação conjunta do setor privado para buscar alternativas que minimizem os impactos sobre o comércio bilateral. A Abimaq afirmou que a tarifa adicional de 25% proposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros ficou dentro da faixa estimada pelo setor, que projetava uma alíquota entre 20% e 30%. A entidade pretende participar da consulta pública e da audiência prevista para 6 de julho para defender a ampliação da lista de exceções à medida. As isenções anunciadas pelo governo norte-americano, concentradas em produtos agrícolas e bens de consumo, seguiram a lógica adotada em medidas anteriores. A avaliação é que os produtos do setor de máquinas tendem a enfrentar maior exposição à nova tarifa por não integrarem segmentos diretamente relacionados à inflação ao consumidor nos Estados Unidos. A proposta tarifária não encontra justificativa econômica, uma vez que os Estados Unidos mantêm superávit comercial na relação bilateral com o Brasil.

A entidade avalia que fatores políticos influenciam a decisão anunciada pelo governo norte-americano. Apesar da preocupação com os impactos sobre as exportações brasileiras de máquinas e equipamentos, o setor identifica um cenário mais favorável para negociações em comparação com o episódio tarifário anterior. A avaliação é que existem atualmente canais mais amplos de diálogo político e técnico entre os dois países, além de negociações em andamento entre o governo brasileiro e o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). A associação também considera que o Brasil dispõe de instrumentos de reciprocidade comercial, embora avalie que há espaço para negociações envolvendo temas de interesse dos Estados Unidos, como minerais críticos. A proposta de tarifa adicional de 25% integra uma investigação conduzida pelo governo norte-americano sobre supostas práticas comerciais consideradas prejudiciais aos interesses dos Estados Unidos. A medida ainda passará por consulta pública e audiência antes de uma decisão definitiva. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.