03/Jun/2026
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve anunciar formalmente na próxima segunda-feira (08/06), durante a Bahia Farm Show, em Luís Eduardo Magalhães (BA), uma linha de R$ 14 bilhões para financiamento de máquinas e implementos agrícolas, com juros de 8,5% a 9,5% ao ano, segundo o ministro da Agricultura, André de Paula. Segundo ele, a taxa menor será aplicada nas operações feitas com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), enquanto os demais 42 bancos credenciados vão operar com juros de 9,5%. "Não serão R$ 10 bilhões, serão R$ 14 bilhões que vão estar disponibilizados, com juros que vão de 8,5% a 9,5%, com 42 bancos", afirmou o ministro, durante reunião do Conselho do Agronegócio da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). São 8,5% para quem fizer com o BNDES e, nos 42 outros bancos credenciados, 9,5%.
A linha havia sido anunciada inicialmente pelo vice-presidente Geraldo Alckmin no fim de abril, durante a Agrishow, em Ribeirão Preto (SP), com previsão de R$ 10 bilhões para financiar máquinas agrícolas. Agora, segundo André de Paula, o governo fará o lançamento formal das bases do programa em uma das principais feiras agropecuárias do Matopiba, região formada por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia e que concentra áreas de expansão de grãos, algodão e pecuária. O ministro disse que os produtores poderão procurar os bancos a partir da próxima segunda-feira (08/06) para acessar os recursos. A medida busca responder a um dos pontos de pressão do setor: a queda nas vendas de máquinas e implementos em meio a juros elevados, margens mais apertadas e endividamento no campo. André de Paula relacionou a linha ao relato de participantes da reunião sobre a redução do volume de negócios em feiras agropecuárias.
Esse programa vem ao encontro dessa preocupação, socorre com o crédito em termos muito mais favoráveis. O anúncio também ocorre em um momento em que fabricantes de máquinas e representantes do setor cobram instrumentos para destravar investimentos. Após o anúncio inicial na Agrishow, executivos do setor avaliaram que uma linha com juros mais baixos poderia ajudar a renovar uma frota agrícola envelhecida e reduzir custos de manutenção, combustível e eficiência operacional. Parte das lideranças do agro, no entanto, vinha cobrando medidas mais amplas para crédito, seguro rural, fertilizantes e renegociação de dívidas. André de Paula voltou a dizer que não basta anunciar volumes elevados de recursos se o produtor não conseguir acessar o crédito. Além dos juros, pesam as exigências dos bancos e a falta de instrumentos de proteção, como o seguro rural.
"Nós temos um desafio, não é só oferecer a possibilidade de recursos significativos do ponto de vista do mérito, é também a construção, para fazer com que o produtor tenha acesso, tanto do ponto de vista dos juros, quanto do ponto de vista das dificuldades que normalmente são colocadas pelos bancos", afirmou. O ministro também defendeu que o seguro rural tenha papel maior na redução do risco das operações. "As questões climáticas hoje estão cada vez mais presentes no desafio de quem está no campo", disse. "É evidente que, se você trabalha com seguro, você tem uma maior garantia, uma maior segurança, e essas taxas de juros tendem a ser taxas de juros muito mais razoáveis." A linha para máquinas é uma frente separada do Plano Safra 2026/27, que deve ser anunciado em 1º de julho. No plano agrícola, o Ministério da Agricultura defende volume próximo de R$ 550 bilhões para a agricultura empresarial e juros de um dígito, mas a composição final depende das negociações com a Fazenda sobre a capacidade do Tesouro de equalizar taxas. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.