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03/Jun/2026

Fertilizantes: produtor dos EUA pede alívio tarifário

Um grupo formado por 65 organizações agrícolas e setoriais dos Estados Unidos, incluindo a Associação Nacional dos Produtores de Milho (NCGA) e a Associação Americana de Soja (ASA), enviou carta ao secretário de Comércio norte-americano, Howard Lutnick, solicitando a revogação das tarifas compensatórias aplicadas às importações de fertilizantes fosfatados originários do Marrocos. A mobilização ocorre em meio ao aumento da pressão regulatória sobre o setor de fertilizantes nos Estados Unidos, com investigações em curso envolvendo a Comissão Federal de Comércio (FTC), o Departamento de Justiça (DOJ) e diretrizes presidenciais voltadas ao combate a práticas anticompetitivas na cadeia agroalimentar. As entidades do setor produtivo afirmam que as tarifas elevam de forma significativa os custos de produção agrícola em um ambiente já pressionado pela queda da renda no campo.

A renda agrícola líquida nos Estados Unidos recua cerca de 31% em relação ao pico de 2022, enquanto os preços de fertilizantes acumulam alta superior a 150% desde 2020, ampliando o endividamento e os pedidos de falência no setor rural. Uma análise do Centro de Política Agrícola e Alimentar (AFPC), vinculado à Universidade Texas A&M, estima que as tarifas sobre o fosfato marroquino elevaram os custos dos produtores de milho, soja, trigo, arroz, sorgo e algodão em aproximadamente US$ 6,9 bilhões entre as safras de 2021 e 2025. No mesmo período, a alíquota máxima de 19,97% teria contribuído para um aumento de 28,6% no preço do fosfato diamônico (DAP) no mercado norte-americano. As tarifas compensatórias estão em vigor desde março de 2021, após pleitos de empresas do setor, como a Mosaic Company.

O setor agrícola, no entanto, argumenta que o mecanismo reforça a concentração de mercado, já que a companhia detém cerca de três quartos do mercado de fosfato nos Estados Unidos, em um contexto de redução de capacidade produtiva interna. As organizações rurais alertam ainda que a manutenção das tarifas pode comprometer a segurança alimentar ao aumentar a dependência de um número reduzido de fornecedores e ampliar a vulnerabilidade do abastecimento de insumos. O cenário é agravado por tensões geopolíticas recentes e por riscos de interrupção na oferta global de fertilizantes. O movimento das entidades integra esforços paralelos no Congresso norte-americano para suspender os encargos sobre fertilizantes importados, reforçando o debate sobre competitividade, custos de produção e estrutura do mercado de insumos agrícolas nos Estados Unidos. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.