03/Jun/2026
O ministro da Agricultura, André de Paula, afirmou nesta segunda-feira (02/06) que o governo brasileiro recebeu sinalizações positivas da China, que pode ampliar o fornecimento de fertilizantes ao mercado nacional, em meio à preocupação com custos de produção e riscos ao abastecimento global do insumo. O governo brasileiro fez um apelo ao governo chinês para que fornecesse fertilizantes. Já há sinalizações positivas de que isso vai se confirmar. A sinalização ocorre em um momento de maior atenção do mercado ao fluxo internacional de fertilizantes. Relatório recente do ING apontou que a crise no Oriente Médio e as restrições ao comércio pelo Estreito de Ormuz aumentam os riscos para regiões dependentes de importação, como a América do Sul. No caso brasileiro, estimativas citadas pelo mercado e pelo governo apontam dependência superior a 80% das compras externas para atender ao consumo interno de fertilizantes.
O Ministério da Agricultura iniciou um "protocolo diplomático" para diversificar fornecedores e reduzir riscos de abastecimento. A Pasta mapeou países com capacidade de fornecer fertilizantes ao Brasil e passou a fazer um trabalho direto com esses parceiros. Além da China, o ministro citou tratativas com Nigéria, Panamá e Trinidad e Tobago. O secretário-executivo do Ministério da Agricultura viajará em breve para Panamá e Trinidad e Tobago para tratar do tema. André de Paula também mencionou conversa recente do vice-presidente Geraldo Alckmin com o vice-presidente da Nigéria, na qual o Brasil pediu aumento do fornecimento de fertilizantes pelo país africano. De acordo com o ministro, a Nigéria já fornece ao Brasil cerca de 30 mil toneladas por mês e pediu, como contrapartida, a ampliação de compras de produtos brasileiros, como maçã e ovos. Esse tipo de relação vai ajudar a avançar nesse desafio dos fertilizantes. A China é acompanhada de perto pelo mercado global porque restringiu exportações de ureia e fosfatados para preservar a oferta doméstica durante o período de maior demanda interna.
A possibilidade de retomada das vendas chinesas tem pressionado os preços internacionais da ureia, segundo avaliação recente da StoneX, embora o insumo ainda siga caro em termos históricos quando comparado com a rentabilidade agrícola. André de Paula também destacou a retomada da produção nacional de ureia como parte da estratégia para reduzir a dependência externa. Ele citou fábricas de fertilizantes no Paraná, em Sergipe, na Bahia e em Mato Grosso do Sul. Segundo o ministro, quando essas unidades estiverem em operação, o Brasil poderá produzir cerca de 35% da ureia consumida internamente. O ministro ponderou, porém, que o crescimento do agronegócio amplia continuamente a demanda por insumos. O desafio do agro é a escala. Na avaliação de André de Paula, os fertilizantes e combustíveis estão entre os itens mais sensíveis para a formação de custos no campo no atual cenário internacional. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.