05/Jun/2026
Relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) estima que os data centers consumiram 448 terawatt-hora (TWh) de eletricidade em 2025, volume equivalente ao consumo anual da França. Caso fossem considerados um país, os data centers ocupariam a 11ª posição entre os maiores consumidores de energia elétrica do mundo. A expansão da inteligência artificial (IA), da computação em nuvem e dos serviços digitais é apontada como principal vetor desse crescimento. Cerca de 20% da eletricidade consumida pelos data centers em 2025 esteve relacionada ao processamento de aplicações de inteligência artificial. A participação deverá alcançar aproximadamente 40% até 2030. As emissões associadas ao consumo elétrico dos data centers atingiram 189 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2) em 2025.
O relatório estima que seriam necessárias cerca de 3,2 bilhões de mudas de árvores cultivadas durante dez anos para compensar esse volume de emissões. A intensidade das emissões varia conforme a matriz energética utilizada. Países com maior dependência de combustíveis fósseis, especialmente carvão, apresentam pegadas de carbono mais elevadas para a operação dessas estruturas. A ONU destaca que os impactos ambientais dos data centers vão além das emissões de gases de efeito estufa. Entre os principais fatores estão a extração de minerais críticos para fabricação de semicondutores, o consumo de água para resfriamento dos equipamentos, a ocupação de áreas para instalação da infraestrutura e a geração crescente de resíduos eletrônicos.
O relatório ressalta que a avaliação da sustentabilidade baseada em apenas um indicador pode ocultar efeitos relevantes em outras dimensões ambientais, especialmente em regiões sujeitas a estresse hídrico ou pressão sobre recursos naturais. O estudo aponta que o Brasil possui características que o tornam atrativo para investimentos em infraestrutura digital, incluindo matriz energética predominantemente renovável, disponibilidade de recursos naturais e reservas de minerais estratégicos. A pegada de carbono da geração elétrica brasileira é estimada em nível 77% inferior à média global. Por outro lado, a pegada hídrica e de uso da terra associada à geração hidrelétrica é quase três vezes superior à média mundial.
O desafio para o País será equilibrar a atração de investimentos em inteligência artificial com a captura de valor econômico, tecnológico e de propriedade intelectual, evitando concentrar apenas os impactos ambientais da expansão dessa infraestrutura. O treinamento de um modelo avançado de IA, equivalente à geração mais recente do ChatGPT, poderia demandar aproximadamente 100 gigawatt-hora (GWh) de eletricidade, gerar pegada de 42 mil toneladas de CO2 equivalente, consumir cerca de 1 bilhão de litros de água e utilizar área equivalente a 1,5 quilômetro quadrado, ou aproximadamente 215 campos de futebol. Apesar disso, o maior impacto energético está associado ao uso cotidiano das ferramentas. Buscas convencionais na internet consomem aproximadamente 0,3 watt-hora por consulta, enquanto buscas baseadas em IA generativa podem alcançar até 3 watt-hora.
O estudo estima que o ChatGPT processe cerca de 2,5 bilhões de solicitações diárias, representando aproximadamente 383 GWh de consumo anual. A geração de uma imagem por inteligência artificial consome em média 2,9 watt-hora, enquanto a produção de um vídeo em alta resolução pode superar 415 watt-hora. O consumo global de eletricidade dos data centers poderá superar 945 TWh até 2030, representando quase 3% do consumo mundial de energia elétrica. Nesse cenário, a infraestrutura passaria a ocupar a sexta posição entre os maiores consumidores globais de eletricidade. A geração de resíduos eletrônicos provenientes da infraestrutura de inteligência artificial poderá atingir até 2,5 milhões de toneladas por ano até o final da década.
O relatório também alerta para potenciais disputas pelo uso da água entre data centers, agricultura, indústrias, ecossistemas e populações locais, especialmente em regiões com disponibilidade hídrica limitada. Além disso, o crescimento acelerado da demanda energética poderá pressionar sistemas elétricos e exigir ampliação dos investimentos em geração e transmissão de energia. Apenas 16% dos países hospedam infraestrutura especializada de computação em nuvem voltada à inteligência artificial. Aproximadamente 90% dessa capacidade encontra-se concentrada em dois países: Estados Unidos e China. A expansão da inteligência artificial exigirá mecanismos de governança capazes de distribuir de forma mais equilibrada os benefícios econômicos, os riscos ambientais e as oportunidades tecnológicas entre diferentes países e regiões. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.