08/Jun/2026
A Coalizão Eólica Marinha (CEM), que reúne empresas, universidades e entidades globais para o desenvolvimento da energia eólica offshore no Brasil, elegeu seu conselho diretor. O movimento representa mais um passo no esforço de coordenação entre mercado e governo para acelerar a regulamentação e a abertura de um mercado que, em outros países, movimenta cifras bilionárias. O conselho reúne representantes das empresas GWEC, Ocean Winds, Mingyang, Windar, Oceânica, Portos RS, QAIR, Hitachi, Seatrium e Prumo. Em pouco mais de um mês, a CEM já conta com mais de 30 associados, impulsionada pela necessidade de um trabalho mais próximo junto aos atores ligados à regulamentação. A conclusão dessa etapa é fundamental para identificar os desafios e as fortalezas que o setor pode apresentar.
A coalizão avalia que os projetos podem se beneficiar da base industrial voltada para outras atividades offshore, incluindo exploração e produção de petróleo, e da demanda futura crescente de grandes consumidores de energia. Contudo, as empresas interessadas dependem criticamente das regras para garantir a financiabilidade dos projetos. Apesar da aprovação do marco legal do setor em 2025, as empresas seguem à espera, entre outros pontos, da definição sobre a cessão de áreas para estudos e a coleta de dados primários que permitam avaliar a viabilidade da atividade. As projeções internacionais apontam que o potencial eólico offshore do Brasil é o melhor do mundo, agora precisamos ir a campo para comprovar. A cessão de área só vai autorizar os desenvolvedores a levantar os dados. Não a implantar projetos neste momento. A CEM estima que só nessa fase sejam necessários de três a cinco anos para os estudos após o acesso às áreas.
O potencial econômico e a necessidade de segurança energética, são os principais argumentos para acelerar a regulamentação. Relatórios internacionais estimam que os primeiros 6 gigawatts (GW) instalados poderiam destravar US$ 15 bilhões em investimentos e gerar até 90 mil empregos, impulsionando a demanda por trabalhadores de alta qualificação. A CEM defende que os projetos de energia eólica offshore são candidatos a atender futuros consumidores eletrointensivos, como data centers, hubs de hidrogênio verde e big techs, projetos que podem demandar abastecimento em cerca de 2,5 anos a partir do início da operação. No entanto, o desenvolvimento das unidades de energia offshore pode demorar até 10 anos. A coalizão está trabalhando com toda a cadeia, desde fornecedores de torres e turbinas até os potenciais compradores da produção futura, mas precisamos de vontade política. A consolidação da cadeia de fornecedores local pode, inclusive, posicionar o Brasil como um provedor de tecnologia e equipamentos para toda a América Latina.
O apelo da descarbonização é outro vetor de atratividade dos projetos. A fonte emite cerca de 0,020 tonelada de dióxido de carbono equivalente (tCO2e) por megawatt-hora (MWh) gerado, abaixo da média do sistema elétrico nacional (0,5 tCO2e/MWh). Além disso, por não carregar os impactos associados a combustíveis fósseis, cada gigawatt de capacidade instalada pode evitar a emissão de até 2 milhões de toneladas de dióxido de carbono (MtCO2). A avaliação da CEM é que as empresas de exploração e produção de petróleo vão retornar a atenção para a atividade quando a regulação estiver mais madura. A leitura é que o "pé no freio" em projetos nessa frente no Brasil tem a influência de questões geopolíticas que ampliam a volatilidade do petróleo, o que leva as operadoras a priorizar os efeitos imediatos da cotação. O capex inicial dos projetos offshore vem caindo globalmente. Quando a cessão de áreas destravar investimentos, é impensável que essas empresas não estejam aqui para brigar pelas oportunidades de negócio. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.