10/Jun/2026
A reorganização da ordem global, marcada pela disputa geopolítica entre Estados Unidos e China, pelo avanço do protecionismo e pela crescente demanda por minerais críticos, terras raras, energia e alimentos, tem ampliado a relevância estratégica do Brasil nas cadeias globais de suprimento. O País reúne condições para ampliar sua participação em mercados estratégicos, especialmente em mineração, agronegócio, energia e bioeconomia. A ordem internacional construída ao longo das últimas décadas passa por um processo de transformação estrutural e a política doméstica norte-americana exerce influência crescente sobre a condução da política externa dos Estados Unidos. Nesse contexto, Brasil e Estados Unidos possuem interesses convergentes de longo prazo e podem aprofundar a cooperação em setores ligados a minerais críticos, terras raras, energia e segurança alimentar. A mineração desponta como uma das próximas fronteiras estratégicas para o desenvolvimento brasileiro.
O País teria potencial para integrar cadeias produtivas alternativas à dependência chinesa no fornecimento de minerais estratégicos, em parceria com Estados Unidos, União Europeia, Japão, Coreia do Sul e Índia. A avaliação é de que a crescente busca por segurança no abastecimento desses insumos tende a favorecer fornecedores considerados confiáveis e competitivos. O Insper Agro Global ressaltou que as commodities passaram a ocupar posição central nas disputas geopolíticas internacionais. Alimentos, energia, fertilizantes e minerais críticos deixaram de ser apenas produtos de comércio exterior e passaram a ser tratados como ativos estratégicos relacionados à segurança nacional dos países. O mundo atravessa uma transição do modelo baseado na ampliação do livre comércio para um ambiente caracterizado por maior protecionismo, fragmentação econômica e busca por soberania produtiva. Nesse cenário, as commodities representam aproximadamente 75% das exportações brasileiras e devem ser encaradas como ativos estratégicos para a inserção internacional do País.
A produção de commodities exige elevada integração com a indústria, serviços, pesquisa, inovação e tecnologia. A competitividade brasileira em soja, proteínas animais, energia renovável e mineração é vista como vantagem relevante diante da necessidade crescente de diversificação das cadeias globais de abastecimento. Ao mesmo tempo, especialistas apontam vulnerabilidades importantes. A principal delas está relacionada à dependência brasileira de fertilizantes importados. A segurança de suprimento desses insumos exige a construção de políticas que reduzam riscos associados a rotas logísticas vulneráveis e a choques geopolíticos internacionais. Além dos fertilizantes, foram apontadas fragilidades em segmentos como derivados de petróleo, gás natural, logística e determinadas áreas da mineração. Em contrapartida, a bioenergia foi destacada como uma oportunidade estratégica ainda pouco explorada internacionalmente.
O Brasil desenvolveu uma experiência consolidada em etanol de cana-de-açúcar, biodiesel, etanol de milho, combustível sustentável de aviação (SAF), combustível marítimo e biometano, mas ainda não conseguiu expandir esse modelo globalmente na mesma proporção de seu potencial. A necessidade de integração entre agropecuária, mineração, fertilizantes, energia e logística foi apontada como um dos principais desafios para ampliar a competitividade brasileira. A coordenação entre políticas públicas, setor privado, instituições de pesquisa e entidades setoriais é considerada fundamental para transformar as vantagens naturais do País em ganhos estruturais de longo prazo. As análises convergem para a avaliação de que a nova configuração geopolítica internacional abre oportunidades relevantes para o Brasil consolidar sua posição como fornecedor estratégico de alimentos, energia, minerais críticos e matérias-primas essenciais para a transição energética e tecnológica global. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.