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10/Jun/2026

Fertilizantes: Brasil busca reduzir dependência externa

A dependência de fertilizantes importados permanece entre as principais vulnerabilidades estratégicas do Brasil em um cenário global marcado por disputas geopolíticas, riscos logísticos e preocupação crescente com a segurança de suprimento. Embora o País tenha consolidado posição de destaque na produção e exportação de commodities agropecuárias, ainda enfrenta desafios relacionados a insumos, logística, energia e cadeias produtivas estratégicas. A disponibilidade global de fertilizantes, anteriormente considerada abundante e de fácil acesso por meio das importações, passou a representar um fator de risco diante das incertezas geopolíticas e da concentração da oferta mundial em regiões e rotas sujeitas a interrupções. Nesse contexto, ganha relevância a construção de políticas voltadas à redução da dependência externa e ao fortalecimento da segurança de abastecimento. Apesar da liderança brasileira em produtos agropecuários, petróleo e minério de ferro, persistem fragilidades em segmentos considerados estratégicos para a competitividade nacional.

Entre eles estão fertilizantes, derivados de petróleo, gás natural, mineração e logística, áreas que demandam maior coordenação e investimentos para ampliar a resiliência do sistema produtivo. No campo da bioenergia, o desafio apresenta características distintas. O Brasil desenvolveu uma experiência consolidada ao longo de décadas, baseada principalmente no etanol de cana-de-açúcar, biodiesel, etanol de milho, biometano e combustíveis renováveis para os setores aéreo e marítimo. No entanto, esse modelo ainda não alcançou escala internacional compatível com seu potencial econômico e ambiental. A expansão global das soluções brasileiras em bioenergia é vista como uma oportunidade relevante, especialmente para países tropicais que buscam alternativas para a transição energética e a redução das emissões de gases de efeito estufa.

A experiência acumulada pelo Brasil desde a implementação do Proálcool constitui uma base importante para ampliar a presença do País nesse mercado. A perspectiva para os próximos anos envolve maior integração entre agropecuária, mineração, fertilizantes, energia e logística. A coordenação entre esses segmentos é considerada fundamental para fortalecer a competitividade brasileira e ampliar a capacidade de resposta diante das transformações da geoeconomia mundial. Nesse processo, a articulação entre políticas públicas, setor privado, instituições de pesquisa e entidades representativas ganha importância crescente. O desenvolvimento da agropecuária tropical, impulsionado por instituições de pesquisa e pela inovação tecnológica, e o avanço da bioenergia são apontados como exemplos de iniciativas estruturantes que podem servir de referência para novas estratégias de desenvolvimento das cadeias de commodities brasileiras. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.