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10/Jun/2026

Fertilizantes: abastecimento interno é preocupação

O mercado global de fertilizantes enfrenta um ambiente de elevada incerteza em decorrência do agravamento das tensões geopolíticas, das restrições logísticas e das pressões sobre a oferta de matérias-primas estratégicas. O cenário aumenta os riscos de gargalos de abastecimento para a próxima safra brasileira e reforça as preocupações quanto à segurança do suprimento de insumos agrícolas. Entre os segmentos mais pressionados está o mercado de fósforo, que enfrenta desequilíbrio econômico em diversas regiões produtoras. O aumento dos custos de produção, combinado com preços de venda considerados insuficientes para remunerar adequadamente a atividade, tem reduzido a atratividade econômica do setor e ampliado as incertezas sobre a manutenção da oferta global.

O mercado também sofre os efeitos dos conflitos no Oriente Médio, região responsável por aproximadamente 50% do consumo mundial de enxofre destinado à indústria de fertilizantes. As interrupções logísticas observadas nas últimas semanas afetam diretamente o fluxo desse insumo essencial para a produção de fertilizantes fosfatados. Paralelamente, restrições impostas pela Rússia ao trânsito de enxofre proveniente do Cazaquistão ampliaram a pressão sobre a disponibilidade global da matéria-prima, elevando a volatilidade e os riscos para a cadeia internacional de fertilizantes. No Brasil, a situação é agravada pelo ritmo mais lento de comercialização dos insumos agrícolas. O consumo nacional de fertilizantes alcançou 49 milhões de toneladas em 2025.

No mesmo período do ano anterior, aproximadamente 32 milhões de toneladas já haviam sido comercializadas, vendidas e entregues aos produtores. Em 2026, esse volume alcança 25 milhões de toneladas, indicando um atraso de cerca de 7 milhões de toneladas na comercialização. Ainda não há consenso sobre se essa diferença representa redução efetiva da demanda ou apenas postergação das decisões de compra por parte dos produtores rurais. O comportamento do mercado nos próximos meses será determinante para avaliar o impacto sobre o abastecimento. A combinação entre custos elevados dos insumos, juros elevados, aumento da percepção de risco de crédito e margens mais apertadas nas atividades agrícolas tem contribuído para maior cautela nas aquisições. Ao mesmo tempo, a menor oferta global de fertilizantes amplia as preocupações quanto à capacidade de atendimento da demanda durante o período de maior consumo.

Os meses de agosto e setembro concentram a maior preocupação logística, tradicionalmente associados ao pico de movimentação dos fertilizantes destinados ao plantio das principais culturas. A eventual redução da demanda poderá atuar como fator de equilíbrio, mas a diminuição da produção global segue como elemento relevante para a formação do mercado. Diante desse contexto, tecnologias voltadas à eficiência no uso de nutrientes ganham importância crescente. Produtos biológicos, agricultura de precisão e ferramentas de manejo mais eficiente dos fertilizantes são apontados como alternativas para mitigar parte dos impactos de curto prazo. Ainda assim, a capacidade dessas soluções de compensar eventuais restrições de oferta permanece limitada em cenários prolongados de escassez. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.