17/Jun/2026
Segundo a StoneX, o mercado brasileiro de diesel deve permanecer pressionado nos próximos meses, mesmo diante da perspectiva de normalização gradual dos fluxos de petróleo e derivados após o acordo de paz entre Estados Unidos e Irã. Há dificuldades persistentes na oferta internacional do combustível, ao mesmo tempo em que a demanda doméstica segue em expansão. Os impactos sobre o mercado de diesel tendem a ser mais duradouros do que os observados no petróleo bruto, uma vez que a recuperação da cadeia global de refino exige mais tempo. A reorganização dos fluxos internacionais de combustíveis já vem alterando o padrão de abastecimento de diversos mercados, incluindo o brasileiro. O aumento dos embarques de diesel dos Estados Unidos para a Ásia reduziu a disponibilidade do produto para outros destinos.
Nesse contexto, o Brasil passou a ampliar a dependência do diesel russo, em movimento semelhante ao observado durante os desdobramentos do conflito entre Rússia e Ucrânia. A busca por fornecedores alternativos permanece mais difícil no mercado global, o que limita a capacidade de reposição de estoques e aumenta a vulnerabilidade da oferta nacional. Apesar desse cenário, o risco imediato de desabastecimento ainda não faz parte das projeções da StoneX. O parque de refino brasileiro tem operado em níveis capazes de atender a demanda interna, contribuindo para a manutenção do abastecimento. Entretanto, a situação pode se tornar mais desafiadora ao longo do segundo semestre. A previsão de paradas programadas para manutenção em algumas refinarias coincide com o período de maior consumo de diesel no País, impulsionado pelas atividades ligadas ao agronegócio.
O terceiro trimestre concentra tradicionalmente a intensificação das operações logísticas relacionadas à importação de fertilizantes e insumos destinados ao plantio da soja, elevando a demanda pelo combustível. Esse movimento tende a pressionar ainda mais o balanço nacional de diesel. A consultoria projeta crescimento de 1,8% no consumo brasileiro de diesel em 2026. O avanço da demanda ocorre em um momento em que o mercado internacional ainda enfrenta restrições de oferta, aumentando os custos de internalização do produto. Caso as dificuldades de importação persistam, algumas regiões poderão enfrentar desafios pontuais de abastecimento, especialmente durante os períodos de maior consumo. No cenário internacional, os agentes do mercado trabalham com a expectativa de que um superávit global de petróleo só se consolide entre o quarto trimestre de 2026 e o primeiro trimestre de 2027.
Até lá, os preços e a disponibilidade física dos combustíveis continuarão fortemente influenciados pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio. Eventuais desdobramentos envolvendo países do Golfo Pérsico e outros atores regionais seguem como fatores de risco para o mercado energético mundial, com potencial de impactar tanto as cotações quanto o equilíbrio entre oferta e demanda de combustíveis. Para o agronegócio brasileiro, a manutenção de um mercado de diesel apertado representa um fator relevante de atenção, sobretudo em períodos de intensificação das operações de transporte de insumos e escoamento da produção agrícola. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.