17/Jun/2026
A normalização dos fluxos globais de fertilizantes afetados pelas interrupções no Estreito de Ormuz deverá ocorrer apenas no fim de 2026, segundo análise da Argus Media. Apesar do avanço das negociações diplomáticas e da perspectiva de retomada gradual da navegação, a recuperação completa do mercado depende do retorno das seguradoras à região, da recomposição dos estoques e da reorganização logística dos embarques. No segmento de amônia, a expectativa é de que a normalização dos fluxos exija pelo menos seis semanas após a reabertura integral do estreito. A recuperação é favorecida entre produtores do Golfo que possuem frota própria, enquanto empresas dependentes de armadores terceirizados enfrentam maiores dificuldades para restabelecer as operações em razão das incertezas relacionadas à segurança da região. O reposicionamento das embarcações e a retomada gradual dos contratos de transporte prolongam os atrasos nos carregamentos e mantêm elevada a volatilidade dos preços no curto prazo.
Além disso, fabricantes de fertilizantes enfrentam desafios para recompor estoques de matérias-primas, o que limita a velocidade de recuperação da oferta. A retração das cotações observada nas últimas semanas também influencia o comportamento dos compradores, que adiam aquisições à espera de um piso de mercado mais definido, reduzindo temporariamente o ritmo de negociações. Entre os insumos mais afetados está o enxofre, mercado que já operava em déficit estrutural antes do conflito. A escassez do produto continua restringindo a produção de fertilizantes fosfatados e sustentando os preços mesmo após a reabertura parcial dos fluxos comerciais. Grande parte dos produtores segue operando abaixo da capacidade instalada. No mercado de ureia, o fechamento de Ormuz provocou forte disparada das cotações, seguida por correção antes mesmo da retomada da navegação. Os preços recuaram cerca de 50% em relação ao pico de US$ 918,00 por tonelada FOB Oriente Médio registrado em abril, passando a operar abaixo dos níveis observados no início do conflito.
A expectativa de retorno das exportações chinesas contribui para a pressão baixista sobre o produto. A amônia também apresenta trajetória de queda, especialmente nos mercados ocidentais, reflexo da menor demanda da indústria de fosfatados e da entrada de novas capacidades produtivas. O cenário permanece pressionado ainda pela interrupção anterior das exportações russas de enxofre e pela suspensão das exportações marítimas do Cazaquistão. A menor disponibilidade global do insumo elevou indiretamente os preços do ácido sulfúrico, retirando parte da oferta chinesa do mercado e levando as cotações do segmento a níveis recordes. Mesmo com a retomada gradual da navegação no Estreito de Ormuz, os efeitos sobre fertilizantes, matérias-primas e logística continuarão sendo sentidos ao longo dos próximos meses, mantendo o mercado global em processo de reequilíbrio até o final do ano. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.