18/Jun/2026
De acordo com avaliação da representação do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) em Brasília, o agronegócio brasileiro mantém posição de destaque no mercado global, mas enfrenta desafios logísticos que podem comprometer sua competitividade nos próximos anos. É necessário que haja avanços estruturais em transporte, armazenagem e infraestrutura portuária para sustentar o crescimento do setor. O Brasil ocupa posição de liderança mundial na produção e exportação de soja, açúcar, café e suco de laranja, além de figurar entre os principais produtores e exportadores de carnes, milho e algodão. Em 2025, o agronegócio respondeu por 25% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e por 48% das exportações do País.
Apesar da expansão da produção agropecuária nas últimas décadas, a infraestrutura logística não evoluiu no mesmo ritmo. O País possui aproximadamente 1,7 milhão de quilômetros de rodovias, dos quais apenas 216 mil quilômetros são pavimentados. A forte dependência do transporte rodoviário permanece como uma das principais limitações para o escoamento da produção agrícola. Em 2023, as rodovias responderam por 69% do transporte de grãos, enquanto as ferrovias participaram com 22% e as hidrovias com apenas 9%. A predominância do modal rodoviário eleva significativamente os custos logísticos. Em determinadas regiões produtoras, o frete representa até 60% do valor da tonelada de milho e até 25% do valor da tonelada de soja.
Grande parte da produção percorre distâncias entre 1,5 mil e 2 mil quilômetros até os principais portos das Regiões Sul e Sudeste, o que aumenta os custos operacionais e reduz a eficiência da cadeia logística. O modelo atual também contribui para congestionamentos, filas nos terminais portuários e maior demanda por caminhões durante os períodos de pico de escoamento. Nesse contexto, o Arco Norte consolidou-se como uma alternativa estratégica para ampliar a competitividade das exportações agrícolas. Integrando rodovias, ferrovias, hidrovias e portos das Regiões Norte e Nordeste, o corredor elevou sua participação nas exportações de soja, milho e farelo de soja de 12% em 2010 para 35% em 2024.
Estudos indicam que cargas originadas em Mato Grosso com destino à China podem gerar economia de US$ 7,82 por tonelada quando embarcadas pelos portos do Arco Norte em comparação com o Porto de Santos (SP). As hidrovias também vêm ampliando sua participação na matriz logística nacional. Em 2025, foram movimentadas 91 milhões de toneladas de produtos agrícolas por esse modal, com destaque para soja e milho. O avanço foi favorecido por investimentos públicos e privados, além da ampliação da infraestrutura portuária e dos incentivos aos Terminais de Uso Privado (TUPs), responsáveis por quase dois terços das operações portuárias brasileiras. Ainda assim, questões relacionadas ao licenciamento ambiental, à burocracia e à insegurança regulatória continuam sendo apontadas como obstáculos ao desenvolvimento do setor.
O modal ferroviário apresenta potencial significativo de expansão. O governo federal estima atrair R$ 140 bilhões em investimentos para novos projetos e ampliações da malha existente. Entre os empreendimentos em destaque estão a Ferrovia do Mato Grosso, a Nova Ferroeste, a Ferrovia Norte-Sul e os estudos relacionados à Ferrogrão, projeto destinado a conectar a produção de Mato Grosso aos portos do Arco Norte. Segundo estimativas mencionadas no relatório, o transporte ferroviário pode reduzir os custos de frete entre 15% e 25% em comparação ao transporte rodoviário. Outro desafio relevante é a capacidade de armazenagem de grãos. Atualmente, o Brasil possui capacidade estática estimada em cerca de 202 milhões de toneladas, volume suficiente para armazenar apenas entre 60% e 70% da produção nacional.
A insuficiência de silos obriga muitos produtores a comercializar rapidamente a produção após a colheita ou recorrer ao uso de caminhões como armazenamento temporário, o que aumenta a pressão sobre os preços e sobre a infraestrutura logística durante os períodos de safra. A manutenção da competitividade do agronegócio brasileiro dependerá da ampliação da capacidade de armazenagem, do fortalecimento dos modais ferroviário e hidroviário, da modernização portuária, da expansão do crédito para infraestrutura e da simplificação dos processos regulatórios. Sem avanços nessas áreas, os custos logísticos, que atualmente representam cerca de 30% dos custos de produção, continuarão limitando o potencial de crescimento do setor. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.