ANÁLISES

AGRO


SOJA


MILHO


ARROZ


ALGODÃO


TRIGO


FEIJÃO


CANA


CAFÉ


CARNES


FLV


INSUMOS

22/Jun/2026

Energia Elétrica: entrevista Paulo Pedrosa - Abrace

Referência global na produção de energia limpa, o Brasil gera 86,8% da sua energia elétrica a partir de fontes renováveis, de acordo com dados do Balanço Energético Nacional (BEN), publicado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e pelo Ministério de Minas e Energia (MME). No entanto, existem muitas oportunidades que o País não conseguiu aproveitar ainda, segundo Paulo Pedrosa, presidente executivo da Abrace Energia, entidade que representa mais de 50 grandes grupos industriais responsáveis por cerca de 50% do consumo de eletricidade da indústria brasileira. Pedrosa diz que o País poderia “oferecer uma energia melhor, mais limpa e mais barata para a nossa sociedade e dar maior competitividade para o País.” Segue a entrevista:

O Brasil tem uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo. Estamos aproveitando bem as vantagens que isso traz ou desperdiçando as oportunidades?

Paulo Pedrosa: Deveríamos ter uma estratégia de desenvolvimento baseada numa energia limpa e barata. Mas o enfoque na competitividade é tão importante quanto o foco na energia limpa. Nossa energia é barata e renovável, sem as condições atribuladas do Oriente Médio. Infelizmente, estamos estragando um pouco isso. Há muito tempo, o País perdeu o protagonismo da sua política energética, que passou a sofrer muita influência política de decisões tomadas no Congresso e mesmo na esfera do Executivo.

Pode dar um exemplo?

Paulo Pedrosa: Por causa do modelo de subsídios, tivemos uma explosão de painéis solares, que se espalharam pelo País de forma desordenada. Eles se apresentam como uma energia limpa e barata, mas estão sujando e encarecendo a energia. Tem tanta energia nos momentos de sol que o operador do sistema (ONS) precisa desligar geradores que estão dando prejuízo. Há risco de apagão na hora em que tem muito sol, porque está sobrando energia. E depois, quando o sol se põe, temos risco de apagão porque o País não tem potência para equilibrar o sistema. Poderíamos oferecer uma energia melhor, mais limpa e mais barata para a nossa sociedade e dar maior competitividade para o País.

Como é que a energia pode ser uma vantagem no debate sobre inteligência artificial e data centers?

Paulo Pedrosa: Se a gente tiver aqui uma energia limpa, barata e segura, vamos trazer o data center. O data center é muito bacana, mas nós também vamos produzir plástico verde, exportar minério de ferro com maior valor agregado e exportar ligas de alumínio. O Brasil tem uma história ligada à exportação de produtos de pouco valor agregado, como produtos minerais ou agrícolas básicos. Esse salto da industrialização, a partir da energia barata, será importante porque gera empregos de qualidade e recursos de impostos para as políticas públicas.

Fonte: Broadcast Agro.