29/Jul/2026
Os preços dos fretes agrícolas apresentaram alta em junho de 2026 na comparação com o mesmo período de 2025 nas principais rotas monitoradas pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). No comparativo mensal, entretanto, houve recuo em diversas regiões, com destaque para Mato Grosso, principal produtor nacional de grãos, onde a maior parte dos trajetos avaliados registrou redução nas cotações. De acordo com o Boletim Logístico da Conab, 72% das rotas monitoradas em Mato Grosso apresentaram queda nos valores dos fretes em relação a maio, com variações entre recuo de 8% e alta de 8%. O comportamento foi influenciado pela movimentação da 2ª safra de milho, cujo volume de embarques ficou abaixo do esperado para o período, além da demanda interna pelo cereal, dos preços recebidos pelos produtores e da predominância de trajetos rodoviários mais curtos.
Em Mato Grosso do Sul, os fretes permaneceram estáveis, embora metade das rotas avaliadas tenha apresentado aumento nos valores. Os preços continuaram sustentados pelos custos operacionais de transporte e pelo fluxo regular de cargas agrícolas. Na Região Centro-Oeste, Goiás registrou redução na maior parte das rotas pesquisadas, principalmente nos trajetos com origem em Cristalina e Bom Jesus de Goiás. No Distrito Federal, todas as rotas apresentaram retração, com valores mínimos até 4% inferiores aos observados em maio. A estabilidade dos preços do diesel, ainda em níveis superiores aos registrados no mesmo período do ano anterior, e a menor intensidade no escoamento das safras de soja e milho contribuíram para esse cenário. Na Bahia, a Conab identificou queda ou estabilidade em todas as rotas analisadas. Nos trajetos originados em Luís Eduardo Magalhães, importante polo produtor do oeste baiano, os fretes recuaram até 7%.
A redução da demanda em relação ao período de maior movimentação da safra de grãos, em abril, combinada ao aumento da oferta de transportadores e da concorrência, pressionou os valores. No Maranhão, algumas regiões apresentaram elevação nos preços dos fretes, especialmente em Balsas e Tasso Fragoso, em função do aumento da demanda após o encerramento da colheita da soja. No Piauí, também predominaram variações positivas, influenciadas pelos embarques de soja destinados ao mercado externo e pelo avanço dos preços locais dos combustíveis. Nas principais rotas de São Paulo, os valores permaneceram estáveis ou apresentaram pequenas altas. Mesmo com atrasos nas operações de colheita em algumas regiões, a demanda por transporte para o escoamento agrícola aumentou. Em Minas Gerais, os preços apresentaram comportamento de queda ou estabilidade.
No Paraná, o início da colheita do milho de 2ª safra de 2026 elevou a procura por transporte nas principais regiões produtoras, mantendo os custos influenciados pelo preço dos combustíveis. Além dos custos operacionais, o desempenho da safra de grãos 2025/26 contribuiu para a movimentação das rotas logísticas no período. No acumulado até junho de 2026, as exportações brasileiras de soja em grãos alcançaram 69,5 milhões de toneladas, aumento de aproximadamente 7,12% em relação ao primeiro semestre de 2025. Os embarques externos de milho somaram 7,9 milhões de toneladas, alta de cerca de 22,13% na comparação com o mesmo período do ano anterior. No primeiro semestre de 2026, os portos do Arco Norte responderam por 35,4% das exportações brasileiras de milho e por 39,1% dos embarques de soja em grãos. Na sequência, os portos de Santos (SP) e Paranaguá (PR) permaneceram como os principais terminais utilizados para o escoamento das duas commodities. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.