30/Jul/2026
Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), o desempenho das exportações brasileiras de máquinas e implementos agrícolas em 2026 reflete a ampliação da base de mercados compradores e as condições mais favoráveis de rentabilidade da atividade agrícola em diversos países em comparação com o Brasil. Em junho, as exportações do segmento cresceram 20,9% em relação a maio, enquanto as importações avançaram 12,5%. Na comparação com junho de 2025, os embarques aumentaram 17,2%, praticamente em linha com a alta de 17,7% registrada nas importações. No acumulado de janeiro a junho, as exportações de máquinas e implementos agrícolas apresentaram crescimento de 17,5%, enquanto as importações recuaram 4,7%. Considerando os 12 meses encerrados em junho, as vendas externas avançaram 14,5%, ao passo que as importações registraram leve alta de 0,1%. Um dos fatores que explicam esse desempenho foi a maior disponibilidade da indústria brasileira para atender ao mercado externo após o período de forte demanda doméstica entre 2021 e 2023.
Naquele intervalo, o elevado volume de pedidos no mercado interno limitou a capacidade de direcionar produtos para exportação. Com a redução da demanda doméstica nos últimos dois a três anos, a indústria passou a operar com maior capacidade instalada disponível, intensificando a busca por novos mercados. Esse movimento resultou na expansão dos destinos das exportações brasileiras, incluindo países como Tailândia e Indonésia, que anteriormente apresentavam participação reduzida nas compras de máquinas agrícolas brasileiras. África do Sul, Rússia e Chile também ampliaram sua relevância entre os mercados atendidos, complementando a tradicional presença da indústria brasileira na América Latina e, em menor escala, na África. Outro fator apontado é a melhor rentabilidade da produção agrícola em diversos mercados internacionais.
Embora os preços das commodities tenham recuado globalmente, a combinação entre preços e condições cambiais em alguns países manteve maior capacidade de investimento dos produtores rurais, favorecendo a aquisição de máquinas agrícolas. A produção nacional de máquinas é fortemente direcionada às cadeias de soja e milho. Mesmo com a soja sendo negociada em torno de US$ 12,00 por bushel, abaixo dos níveis próximos de US$ 17,00 por bushel registrados anteriormente, diversos países preservaram condições econômicas mais favoráveis para investimentos, uma vez que não enfrentaram a mesma pressão cambial observada no Brasil. A combinação entre capacidade ociosa da indústria nacional e maior demanda de mercados externos com rentabilidade agrícola relativamente superior explica tanto o crescimento das exportações quanto a diversificação recente dos destinos das máquinas e implementos agrícolas brasileiros. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.