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30/Jul/2026

Insumos: 3tentos explica à CVM reunião com analistas

A 3tentos afirmou à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que as reuniões realizadas com analistas de mercado no dia 28 de julho se limitaram à discussão de informações já públicas sobre a companhia e o cenário do agronegócio, negando ter apresentado dados inéditos, projeções ou indicações sobre seu desempenho financeiro. A manifestação foi enviada em resposta a um ofício da autarquia após a forte queda das ações da empresa, motivada por uma reportagem da Veja que atribuía o movimento a um encontro reservado com analistas.

No documento, a companhia confirma que integrantes da área de relações com investidores participaram das reuniões, classificadas como habituais para empresas de capital aberto. Segundo a 3tentos, "a companhia se restringiu a discutir informações já públicas" e "não forneceu dados ou indicações específicos sobre seu desempenho operacional ou financeiro que não tivessem sido previamente divulgados ao mercado". Também afirmou que não houve apresentação de novas projeções nem revisão das estimativas já conhecidas pelos investidores. A empresa acrescentou que eventuais avaliações pessimistas sobre seus resultados foram fruto exclusivamente das análises independentes dos participantes.

Conforme o comunicado, eventuais conclusões dos analistas "decorreram exclusivamente de sua própria análise, com modelagem, premissas e assunções próprias de analistas independentes". A 3tentos informou, ainda, que as conversas abordaram apenas o ambiente desafiador enfrentado pelo agronegócio, marcado pela queda dos preços de commodities agrícolas e biocombustíveis, como farelo de soja e biodiesel, além da elevação dos custos logísticos, especialmente do frete. A companhia ressaltou que todos esses dados são públicos e podem ser obtidos em fontes como a Bolsa de Chicago (CBOT), a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

Com base nesses argumentos, a empresa sustentou que as informações discutidas "eram de natureza pública e não se enquadravam no conceito de fato relevante previsto no artigo 2º da Resolução CVM nº 44", motivo pelo qual entendeu não haver necessidade de divulgar um fato relevante ao mercado. O esclarecimento foi solicitado pela CVM após reportagem publicada pela revista Veja, segundo a qual investidores teriam recebido, durante uma reunião fechada com analistas, indicações de perspectivas mais fracas para receita, aumento de custos, maiores despesas com frete e preocupações relacionadas à inadimplência. A publicação afirmava que o episódio teria contribuído para uma queda de cerca de 12% das ações da companhia e para uma perda aproximada de R$ 900 milhões em valor de mercado.

No ofício encaminhado à companhia, a CVM pediu esclarecimentos sobre a veracidade das informações divulgadas e questionou os motivos pelos quais a administração entendeu que o assunto não configurava fato relevante. A autarquia lembrou que a regulamentação permite reuniões reservadas com analistas, desde que informações relevantes sejam divulgadas ao mercado de forma ampla antes ou simultaneamente aos encontros. Também ressaltou que, em caso de vazamento de informação relevante ou de oscilação atípica das ações, cabe ao diretor de Relações com Investidores promover a divulgação imediata de fato relevante, independentemente da origem das informações. Fonte: Broadcast Agro.