22/Sep/2026
As importações brasileiras de enxofre seguem em forte retração em 2026, enquanto os preços permanecem elevados. Entre janeiro e agosto, o Brasil adquiriu 829,56 mil toneladas, queda de mais de 50% ante o mesmo período de 2025, quando as compras somaram 1,67 milhão de toneladas. Ao mesmo tempo, o preço médio de importação permanece acima de US$ 1,00 mil por tonelada pelo terceiro mês consecutivo. O enxofre é uma matéria-prima estratégica para a agricultura e para a indústria. No campo, o nutriente é importante para a produtividade e a qualidade das culturas. Na indústria, é utilizado principalmente na produção de ácido sulfúrico, insumo empregado na fabricação de fertilizantes fosfatados, como Superfosfato Simples (SSP), Superfosfato Triplo (TSP), MAP e DAP. A menor disponibilidade global de enxofre ocorre em um cenário de aumento da demanda, especialmente da China e da Índia, combinado com restrições na oferta da matéria-prima.
O enxofre é obtido principalmente como subproduto do refino de petróleo e do processamento de gás natural, atividades afetadas pelas interrupções e limitações operacionais associadas ao conflito no Oriente Médio. Além da forte redução do volume importado, os preços pagos pelo Brasil permanecem elevados. A média de importação entre janeiro e agosto de 2026 foi de US$ 609,14 por tonelada, 2,8 vezes acima da média registrada no mesmo período de 2025, de US$ 217,35 por tonelada. Considerando a comparação com a primeira metade de 2025, a alta também se aproxima de três vezes. O comportamento das importações de enxofre reforça o cenário de menor disponibilidade de matérias-primas para a indústria de fertilizantes no Brasil. A combinação de volumes mais baixos e preços elevados ocorre em um ambiente de redução das compras externas de outros insumos.
As importações brasileiras de cloreto de potássio somaram 0,93 milhão de toneladas em agosto de 2026, queda de 37,7% ante agosto de 2025, quando alcançaram 1,50 milhão de toneladas. O volume foi o menor para o mês em uma série iniciada em 2018. No mercado de nitrogenados, o Brasil importou 508,7 mil toneladas de ureia em agosto, o menor volume para o mês desde 2023. No acumulado de janeiro a agosto, as compras de ureia somaram 2,82 milhões de toneladas, também o menor patamar para o período em uma série iniciada em 2018. O conjunto dos dados aponta para menor disponibilidade de matérias-primas importadas para a indústria brasileira de fertilizantes, em um cenário de preços internacionais elevados, adiamento de compras e restrições da oferta externa. Para o enxofre, a queda superior a 50% nas importações até agosto, combinada com preços médios 2,8 vezes maiores em relação a 2025, amplia a pressão sobre os custos de produção dos fertilizantes fosfatados. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.