22/Sep/2026
Segundo a StoneX, os preços da ureia avançaram pela quinta semana consecutiva no mercado brasileiro, acumulando alta próxima de 20% nos portos do País. O movimento eleva os custos de recomposição dos estoques para a 2ª safra de milho do ciclo 2026/27, ao mesmo tempo em que a valorização recente do cereal tem compensado parte da pressão sobre os custos dos fertilizantes nitrogenados. A alta representa uma mudança relativamente rápida de patamar e resulta da combinação de fatores internos e externos, entre eles o aumento da demanda brasileira, os custos elevados do gás natural e as incertezas relacionadas às negociações entre Estados Unidos e Irã. A possibilidade de retorno da Índia ao mercado para aquisição de novas cargas de ureia também passou a sustentar as cotações internacionais, diante da perspectiva de aumento da demanda global.
O avanço dos preços ocorre em um momento de atenção dos compradores brasileiros, que deverão intensificar nos próximos meses a recomposição dos estoques destinados à 2ª safra de milho de 2026/27. Durante os períodos mais críticos da guerra entre Estados Unidos e Irã e diante dos temores relacionados à oferta mundial de nitrogenados, a ureia chegou a se aproximar de US$ 800 por tonelada nos portos brasileiros, nível superior aos preços atuais. Apesar da valorização dos nitrogenados, a situação econômica do produtor de milho está mais favorável do que alguns meses atrás. A alta das cotações do cereal ajudou a compensar parte do aumento dos custos dos fertilizantes e manteve as relações de troca em níveis próximos aos registrados no mesmo período do ano passado, reduzindo, por enquanto, a pressão sobre o poder de compra do produtor. A valorização do milho também amplia a receita potencial das lavouras e pode contribuir para uma perspectiva mais favorável de rentabilidade da cultura.
Esse cenário, porém, pode gerar um efeito adicional sobre o mercado de fertilizantes, caso preços mais elevados do cereal estimulem aumento da área plantada e, consequentemente, maior demanda por nitrogenados. Uma eventual expansão da área de milho e o aumento da necessidade de adubação podem contribuir para novas pressões sobre os preços da ureia e do sulfato de amônio. Ao mesmo tempo, a melhora da relação de troca do milho com os insumos aumenta a capacidade de compra dos produtores e tende a estimular o consumo de fertilizantes nitrogenados. O comportamento dos preços da ureia nos próximos meses dependerá, portanto, da combinação entre demanda brasileira, ritmo de recomposição dos estoques para a 2ª safra de 2027, evolução da oferta internacional, custos do gás natural e eventual retorno da Índia às compras. A valorização do milho atua como fator de compensação para o produtor, mas também pode elevar a demanda por nitrogenados caso favoreça a expansão da área cultivada. Fonte: Notícias Agrícolas. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.