23/Sep/2026
O governo federal não identifica, neste momento, indicativos de risco de desabastecimento de óleo diesel no Brasil, apesar das preocupações com os efeitos dos conflitos internacionais sobre a oferta e os preços dos combustíveis. O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) acompanha o cenário, enquanto o Ministério de Minas e Energia (MME) e a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) são responsáveis pelo monitoramento direto do abastecimento. A preocupação com a oferta ganhou força em setembro após produtores do Rio Grande do Sul relatarem restrições e atrasos na entrega de diesel no início do plantio da safra de verão (1ª safra 2026/2027).
Em 10 de setembro, a Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) informou ter recebido reclamações de produtores e alertou que atrasos prolongados poderiam comprometer a janela de semeadura de culturas como arroz e soja. Diante dos relatos no Estado, o Ministério da Agricultura informou ter tratado do assunto com o Ministério de Minas e Energia em 21 de setembro e recebido garantias sobre a manutenção do abastecimento. A avaliação apresentada é de que eventuais dificuldades verificadas no Rio Grande do Sul podem estar relacionadas a situações localizadas, que devem ser acompanhadas pelos órgãos responsáveis. A ANP também vinha descartando a hipótese de desabastecimento generalizado.
Durante os relatos de dificuldades no Rio Grande do Sul, a agência avaliou que o cenário observado não caracterizava falta de diesel no mercado nacional. A Petrobras, por sua vez, informou a manutenção das entregas dos volumes contratados. O cenário ocorre em meio à pressão sobre o mercado internacional de combustíveis, agravada pelas tensões geopolíticas. O Brasil atende aproximadamente três quartos da demanda doméstica de diesel com produção nacional e depende de importações para complementar o abastecimento. A elevação das cotações internacionais ampliou nas últimas semanas a diferença entre os preços praticados pela Petrobras e o custo de importação, reduzindo o estímulo econômico para as compras externas realizadas por empresas independentes.
Em 21 de setembro, o governo regulamentou uma nova subvenção econômica para produtores e importadores de diesel. O mecanismo poderá ser utilizado para assegurar o fornecimento do combustível enquanto persistirem as instabilidades na oferta internacional provocadas por conflitos geopolíticos. A medida busca reduzir o risco de interrupções no abastecimento diante da menor atratividade das importações e da pressão sobre os preços internacionais. Para o setor agropecuário, a evolução da oferta e dos preços do diesel permanece relevante devido ao impacto direto do combustível sobre os custos de preparo do solo, plantio, colheita, transporte e armazenagem. A manutenção do abastecimento durante a implantação da safra de verão é especialmente importante no Rio Grande do Sul, onde eventuais atrasos na entrega podem afetar a execução das operações dentro das janelas recomendadas de plantio. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.