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23/Sep/2026

Fertilizantes: abastecimento para 2026/27 garantido

O governo considera afastado o risco de desabastecimento de fertilizantes para a safra 2026/27, após medidas para ampliar fornecedores no exterior e acelerar a entrada dos insumos pelos portos brasileiros. A estratégia combina diversificação das origens de importação, prioridade logística para as cargas destinadas à nova safra e retomada da produção nacional, diante dos impactos dos conflitos internacionais sobre rotas e fontes tradicionais de fertilizantes. O ministro da Agricultura, André de Paula, retornou na semana passada de uma missão oficial a Angola e Marrocos, que incluiu discussões sobre produção e abastecimento de fertilizantes. Em Angola, a comitiva se reuniu com o Grupo Opaia, responsável pelo projeto Amufert, voltado à produção de ureia e amônia.

No Marrocos, o ministro participou de reuniões com autoridades e visitou o complexo industrial da OCP Nutricrops, em Jorf Lasfar. A visita à OCP resultou, em 18 de setembro, na assinatura de um memorando de entendimento que estabelece como referência o fornecimento de 3,8 milhões de toneladas de fertilizantes fosfatados a operadores brasileiros em 2026 e 2027. O volume não representa uma compra efetivamente contratada, pois as aquisições dependerão das condições comerciais negociadas entre a companhia marroquina e as empresas brasileiras. Segundo o Ministério da Agricultura, as 3,8 milhões de toneladas equivalem a cerca de 80% da necessidade brasileira de fertilizantes fosfatados considerada pelo governo.

A diversificação das fontes de fornecimento ganhou relevância diante dos conflitos internacionais que afetaram rotas e origens tradicionais dos insumos. A estratégia busca construir parcerias com mercados alternativos e reduzir a vulnerabilidade do Brasil à concentração das importações de fertilizantes. Na área logística, a Comissão Nacional das Autoridades nos Portos (Conaportos) recomendou, em agosto, que os portos públicos adotassem tratamento preferencial para o desembarque de fertilizantes destinados à safra 2026/27. A resolução orienta, quando permitido pelas regras de cada porto, que essas cargas tenham preferência de atracação em até 24 horas após o anúncio da chegada da embarcação. A medida foi adotada em meio aos riscos provocados pela crise geopolítica e pelas alterações nas rotas internacionais de ureia, amônia, enxofre e fosfatos.

A prioridade logística busca reduzir atrasos no desembarque durante o início da safra, período em que o acúmulo de embarcações nos portos pode ampliar os prazos de movimentação das cargas. No longo prazo, o governo pretende reduzir a dependência brasileira das importações. Cerca de 85% dos fertilizantes consumidos no País vêm do exterior, segundo o Ministério da Agricultura. O Plano Nacional de Fertilizantes prevê elevar gradualmente a produção doméstica, com a meta de atender entre 45% e 50% da demanda interna até 2050. Entre as iniciativas para ampliar a oferta nacional está a retomada da produção de nitrogenados pela Petrobras. O governo considera as unidades da companhia na Bahia, em Sergipe e no Paraná, além da UFN-III, em Três Lagoas (MS), como parte da estratégia para elevar a produção doméstica.

Com a entrada da UFN-III, a capacidade brasileira poderá atender a cerca de 35% da demanda nacional por nitrogenados, projeção alinhada à estimativa divulgada pela Petrobras. Outra frente é o Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes (Profert), instituído neste mês pela Lei 15.496/2026. O programa prevê incentivos para ampliar a produção nacional de fertilizantes e matérias-primas, com os objetivos de reduzir a dependência externa e ampliar a estabilidade do abastecimento. A situação do enxofre permanece como um ponto de atenção. A matéria-prima é essencial para a produção de fertilizantes fosfatados, e sua escassez levou a EuroChem, proprietária da fábrica de Serra do Salitre (MG), a suspender temporariamente contratos de trabalho neste mês.

O governo ainda não anunciou subsídio ou nova medida específica para o produto. A indústria vem pressionando pela adoção de um subsídio à importação de enxofre, tema já discutido por um grupo de trabalho federal, mas sem decisão final. Representantes do setor, entre eles o Sindicato Nacional da Indústria de Matérias-Primas para Fertilizantes (Sinprifert), também questionam a prioridade concedida ao acordo com o Marrocos em relação a medidas destinadas a destravar a produção nacional. Na estratégia apresentada pelo governo, a diversificação de fornecedores, o Profert e o Plano Nacional de Fertilizantes permanecem como os principais instrumentos para reduzir a vulnerabilidade externa e ampliar a segurança de abastecimento do setor. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.