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23/Sep/2026

Fertilizantes: riscos de oferta para safra 2027/2028

As entregas de fertilizantes para a safra 2026/27 no Brasil seguem em ritmo relativamente normal, apesar do atraso nas compras por parte dos produtores. O Sindicato Nacional da Indústria de Matérias-Primas para Fertilizantes (Sinprifert) não identifica risco de desabastecimento imediato para a safra de verão (1ª safra 2026/2027), mas projeta possíveis gargalos de oferta para o ciclo 2027/28, principalmente em fertilizantes fosfatados. O mercado global pode registrar redução de 50% na oferta de fósforo em 2027, em consequência da alta dos preços do enxofre e de restrições às exportações de grandes fornecedores. A dependência brasileira do mercado externo amplia a exposição a esses fatores. O Brasil importa 90% dos fertilizantes consumidos internamente, sendo 97% da demanda de potássio, 97% de nitrogênio e 76% de fósforo. Ao mesmo tempo, juros elevados, crédito mais restrito e margens comprimidas na produção de grãos reduziram as perspectivas de consumo dos nutrientes.

Dados de inteligência da Yara Brasil indicam que a comercialização de fertilizantes no País alcançou 82% do volume projetado, ante 88% no mesmo período de 2025. Em volume, as vendas somam 35,3 milhões de toneladas, ante 43 milhões de toneladas no ciclo anterior, redução de 7,7 milhões de toneladas. A Yara apresenta comercialização de cerca de 85%, acima da média de 82% do mercado, indicando ritmo um pouco mais avançado e sem grandes desafios para o atendimento da safra 2026/27. Os atrasos nas aquisições estão concentrados principalmente nos Estados das Regiões Sudeste e Sul. Rio Grande do Sul, São Paulo, Minas Gerais e Santa Catarina apresentam compras abaixo do ritmo observado em outras regiões. No Rio Grande do Sul, além do comportamento historicamente mais tardio nas aquisições, o fluxo de caixa negativo acumulado em algumas safras e a menor disponibilidade de crédito contribuem para postergar as compras.

Segundo dados de mercado da Yara, a comercialização alcança 76% no Rio Grande do Sul e em Minas Gerais, 72% em Santa Catarina e 64% em São Paulo. Mato Grosso, Paraná e Mato Grosso do Sul apresentam percentuais entre 80% e 90%. Apesar da maior concentração de compras pendentes no Sul e Sudeste, a avaliação é de que existem volumes suficientes para atender à demanda dos produtores, embora possam ocorrer gargalos pontuais, principalmente logísticos. A Mosaic também projeta retração no mercado brasileiro de fertilizantes em 2026, estimada entre 10% e 15% ante o ciclo anterior. Cerca de 90% das necessidades de fertilizantes para a safra de verão já foram adquiridas, percentual considerado alinhado ao comportamento de anos anteriores. Os 10% restantes estão concentrados principalmente no Sudeste e no Rio Grande do Sul e podem enfrentar gargalos pontuais na capacidade produtiva de plantas misturadoras e distribuidoras locais, mas não há indicação de risco de desabastecimento.

A principal retração está concentrada nos fertilizantes fosfatados, cuja demanda brasileira pode recuar entre 25% e 30% neste ano em razão dos preços elevados do enxofre no mercado internacional. A menor utilização de fertilizantes tende a reduzir a produtividade das lavouras. A Mosaic estima que o rendimento da soja no Brasil possa apresentar queda próxima de 5% no próximo ano em consequência da menor adubação. A alta dos custos do enxofre também compromete a produção nacional de fertilizantes fosfatados. A própria Mosaic, responsável por cerca de 60% da oferta interna desses produtos, suspendeu as atividades de suas plantas no País devido à inviabilidade econômica da produção nas condições atuais. Com a indústria nacional operando abaixo da capacidade e os estoques sendo contidos, as importações também diminuíram. A soma das importações de agosto com a programação de navios para setembro aponta queda de aproximadamente 50% ante o mesmo bimestre de 2025.

No acumulado dos oito primeiros meses de 2026, as compras externas de fertilizantes recuaram 13%. A redução da oferta importada, combinada à menor produção doméstica, aumenta a preocupação com a disponibilidade de fosfatados para o próximo ciclo. O risco para a safra 2027/28 está associado à combinação entre menor adubação fosfatada em 2026 e seus possíveis efeitos sobre a produtividade, além da possibilidade de manutenção dos gargalos de oferta. A redução dos volumes aplicados neste ano pode comprometer o potencial produtivo das lavouras e criar uma situação mais restritiva para o próximo ciclo. Para estimular a retomada da produção nacional e evitar nova queda de produtividade, o Sinprifert encaminhou ao governo federal uma proposta de concessão temporária de R$ 2 bilhões em subsídios à importação de enxofre. A avaliação do setor é de que a medida poderia contribuir para reativar a indústria nacional e evitar perdas econômicas estimadas entre R$ 20 bilhões e R$ 30 bilhões no próximo ano.

Entre as políticas públicas em vigor, o Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes (Profert) é considerado relevante para a expansão da produção nacional no médio e longo prazos, mas não solucionaria o gargalo imediato relacionado ao enxofre. Em relação ao programa Brasil Soberano, a avaliação é de que a linha de crédito disponível é limitada para grandes projetos industriais. O limite de R$ 50 milhões por empresa é considerado reduzido diante de projetos de produção de fertilizantes que exigem investimentos na casa dos bilhões de Reais. O cenário, portanto, combina normalidade no abastecimento da safra 2026/27 com menor ritmo de comercialização e aumento dos riscos para 2027/28. Enquanto as compras atrasadas no Sul e Sudeste ainda podem ser atendidas com os volumes disponíveis, a redução da oferta de fosfatados, os custos elevados do enxofre, a suspensão de plantas industriais e a queda das importações elevam a possibilidade de restrições mais relevantes no próximo ciclo. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.