09/Oct/2026
O gasto dos agricultores dos Estados Unidos com fertilizantes e combustíveis deve ficar cerca de US$ 10 bilhões maior em 2026, considerando projeções do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) e da Federação Americana do Farm Bureau (AFBF). O aumento dos custos tende a influenciar as decisões de compra de insumos para a safra 2027, segundo análise do CoBank, banco norte-americano especializado em crédito rural. O diesel agrícola alcançou US$ 5,75 por galão em 2 de outubro, ante US$ 3,02 por galão um ano antes, elevando a pressão sobre os custos operacionais das propriedades. O USDA projeta gastos recordes de US$ 40 bilhões com fertilizantes em 2026, alta de 15%, equivalente a US$ 5 bilhões, ante 2025. As despesas com combustíveis, incluindo diesel, devem atingir US$ 22 bilhões, avanço de 29%, também representando acréscimo de US$ 5 bilhões em um ano, conforme estimativa da AFBF. O diesel agrícola a US$ 5,75 por galão corresponde a aproximadamente US$ 1,52 por litro, ante cerca de US$ 0,80 por litro um ano antes.
A pressão dos combustíveis é maior durante a colheita, quando o diesel é utilizado em colheitadeiras, tratores, transbordos e caminhões. Um produtor de milho precisa vender cerca de 127 quilos do cereal para cobrir o diesel utilizado na produção de 0,4 hectare. Em termos comparáveis no Brasil, o custo equivale a aproximadamente 5 sacas de 60 Kg por hectare, ante 3 sacas de 60 Kg por hectare há um ano. O cálculo considera consumo de 5 galões (47 litros) por hectare, e as cotações atuais dos futuros de milho e diesel. A alta dos combustíveis amplia os custos de colheita, secagem e transporte para produtores e compradores de grãos. O transporte ferroviário também registra forte elevação dos custos. A sobretaxa de combustível cobrada pelas ferrovias chegou a US$ 0,59 por milha, equivalente a 1,6 quilômetro, em outubro, US$ 0,40 acima do valor registrado em outubro de 2025 e quase três vezes a média de três anos, de US$ 0,23 por milha, conforme dados do Agricultural Marketing Service (AMS) do USDA.
O aumento do diesel, portanto, afeta não apenas as operações dentro das propriedades, mas também a movimentação dos grãos entre regiões produtoras, unidades de armazenamento, processadores e mercados consumidores. Para distribuidores e revendedores de insumos, uma das alternativas apontadas pelo CoBank é separar a cobrança do combustível nas entregas, permitindo evidenciar ao cliente a parcela do aumento associada ao frete. Outras empresas podem repassar diretamente a elevação do diesel ou ajustar margens por meio da coordenação entre operações e vendas, buscando limitar o impacto sobre a rentabilidade das atividades comerciais. No nível da fazenda, a recuperação recente das cotações de milho e soja não foi suficiente para compensar a elevação dos custos dos insumos. A AFBF estima que, apenas pelos efeitos relacionados ao fechamento do Estreito de Ormuz, o produtor de milho terá custo adicional de US$ 47,00 por hectare com diesel e de US$ 17,00 por hectare com fertilizantes.
Entre as culturas analisadas, o maior impacto ocorre no arroz, com custo adicional estimado em US$ 180,00 por hectare, considerando conjuntamente diesel e fertilizantes. A pressão dos custos de energia também tem implicações sobre a política monetária nos Estados Unidos. No início do ano, as expectativas apontavam para uma leve redução dos juros, mas a alta da taxa promovida pelo Federal Reserve (Fed) em setembro reduziu a probabilidade de alívio no curto prazo. O encarecimento da energia tende a adicionar pressão à inflação, dificultando uma trajetória de juros mais baixos. Apesar do nível elevado das cotações, o CoBank não prevê escassez de fertilizantes nos Estados Unidos. Os revendedores esperam custos elevados no outono, enquanto os agricultores, que trabalham com estoques relativamente conservadores, aparentam dispor de produto suficiente. Algumas categorias de fertilizantes registraram recuo de preços e permanecem abaixo dos níveis projetados após o início da guerra com o Irã, embora diversas matérias-primas e produtos tenham apresentado alta nos últimos meses.
As condições climáticas também limitam a demanda por fertilizantes. A seca e a falta de chuvas nas planícies centrais têm restringido a atividade agronômica, com impacto maior do que os próprios preços dos insumos. Ao mesmo tempo, produtores demoraram a retomar as compras, embora a valorização das commodities em agosto tenha estimulado parte deles a voltar ao mercado. Levantamento da McKinsey indica que o fertilizante costuma ser o primeiro grande insumo a sofrer cortes quando as margens agrícolas se deterioram e o primeiro a receber novos investimentos quando a rentabilidade melhora. Quase metade dos produtores consultados afirmou que priorizaria a compra de fertilizantes caso os resultados financeiros melhorassem, reforçando a elevada sensibilidade da demanda às margens de produção. Esse comportamento será determinante para a preparação da safra 2027.
Reduções na adubação durante vários anos podem comprometer o potencial produtivo das lavouras, enquanto compras excessivas por revendedores em um ambiente de preços elevados aumentam o risco de formação de estoques caros. O equilíbrio entre disponibilidade, preços, margem dos produtores e necessidade agronômica deverá orientar as decisões de aquisição nos próximos meses. O atraso da colheita em algumas regiões, provocado pelo clima úmido, também pode alterar o calendário de utilização dos fertilizantes. Parte das aplicações originalmente previstas para o outono norte-americano pode ser transferida para a primavera, caso a retirada das lavouras e as condições de solo não permitam a execução das operações dentro da janela inicialmente planejada. O cenário combina, portanto, custos elevados de energia e fertilizantes, cautela dos produtores nas compras e necessidade de preservar a reposição de nutrientes, criando um ambiente de maior seletividade para a demanda de insumos na preparação da safra 2027. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.