ANÁLISES

AGRO


SOJA


MILHO


ARROZ


ALGODÃO


TRIGO


FEIJÃO


CANA


CAFÉ


CARNES


FLV


INSUMOS

14/Oct/2026

Hidrovias: possibilidade de sobretaxa de seca no Norte

A perspectiva de agravamento da estiagem nos rios da Região Norte pode fortalecer os argumentos técnicos de armadores para cobrar a sobretaxa de seca no transporte aquaviário de contêineres. Uma ala da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) avalia que a redução do calado disponível para navegação poderá ampliar os impactos operacionais, com diminuição da capacidade de carga das embarcações, aumento dos custos logísticos e possíveis atrasos nas entregas. A eventual aprovação das cobranças, entretanto, continuará condicionada à análise técnica e à comprovação dos custos adicionais relacionados à seca.

As projeções do boletim de acompanhamento dos níveis dos rios indicam probabilidade de 87% de que a cota do Rio Negro, em Manaus (AM), fique abaixo de 17,70 metros até o fim de 2026. Dependendo da evolução das condições hidrológicas, as restrições à navegação poderão persistir por quatro a dez semanas. Esse cenário pode aumentar a necessidade de ajustes operacionais pelas empresas que transportam contêineres na região. A redução do calado limita a quantidade de carga que as embarcações podem transportar com segurança. Com menor capacidade por viagem, os armadores podem precisar reorganizar escalas, ampliar o número de viagens ou recorrer a operações alternativas de transbordo, elevando os custos e afetando os prazos de entrega.

A intensidade desses efeitos tende a influenciar a fundamentação econômica dos pedidos de cobrança da sobretaxa. No boletim de 9 de outubro, o nível do Rio Negro estava em 17,86 metros, após recuo de nove centímetros em 24 horas. No cenário mediano, a projeção indicava que o rio permaneceria abaixo de 17,70 metros por aproximadamente sete semanas, até a quarta semana de novembro, com nível mínimo de 16,91 metros. No cenário mais adverso, a restrição poderia se prolongar por cerca de dez semanas, até a terceira semana de dezembro, com mínima de 16,09 metros. Embora a queda do nível do rio tenha desacelerado na semana anterior à divulgação do boletim, as projeções ainda apontam risco de limitações à navegação.

O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) iniciou o aprofundamento na foz do Rio Madeira, elevando para 10,90 metros a profundidade de referência do trecho crítico. A intervenção pode melhorar as condições de passagem nesse ponto, mas não elimina os efeitos da estiagem sobre o calado disponível ao longo de toda a rota. A discussão sobre as sobretaxas ocorre em um contexto de análise individualizada dos pedidos pela Antaq. Nas decisões recentes, a agência tem considerado os valores cobrados, as condições operacionais e a comprovação das despesas adicionais provocadas pela seca. Também pode estabelecer obrigações de transparência e de envio periódico de informações pelas empresas.

Dessa forma, a redução mais acentuada dos níveis dos rios pode reforçar a justificativa econômica para a cobrança, sobretudo quando houver evidências de perda de capacidade de transporte e aumento efetivo dos custos operacionais. A aprovação, contudo, não é automática e permanece sujeita à avaliação técnica e às condições definidas pela Antaq. Para os usuários do transporte fluvial na região Norte, a duração e a intensidade das restrições serão determinantes para os possíveis reflexos sobre os custos logísticos e os prazos de abastecimento. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.