14/Oct/2026
O atraso e a retração das importações brasileiras de fertilizantes nitrogenados em 2026 podem comprometer a disponibilidade do insumo para o plantio do milho 2ª safra de 2027, elevando o risco de redução dos estoques e indicando uma possível contração da demanda no mercado interno. Segundo a StoneX, os importadores mantiveram uma postura cautelosa entre janeiro e setembro, com compras em volumes menores diante dos preços elevados, da volatilidade do mercado internacional e de relações de troca menos favoráveis para os produtores. Com o avanço do ano e a manutenção do ritmo lento das aquisições externas, aumenta a preocupação de que o atraso nas importações não represente apenas um adiamento das compras, mas uma efetiva retração da demanda brasileira por fertilizantes. Caso essa tendência se confirme, o setor agrícola poderá iniciar a próxima temporada de milho 2ª safra com estoques mais baixos de nitrogenados, restringindo a oferta aos consumidores finais e aumentando a necessidade de acompanhamento da disponibilidade do insumo nos próximos meses.
Os dados de janeiro a setembro de 2026 mostram recuo nas importações das principais fontes de nitrogênio. As compras externas de ureia diminuíram 21% em relação ao mesmo período de 2025. No caso do nitrato de amônio (NAM), a queda foi de 32%, enquanto as importações de sulfato de amônio recuaram 18,5%. A redução simultânea dos volumes dos três produtos evidencia a menor entrada de fertilizantes nitrogenados no País e amplia a preocupação com a recomposição dos estoques antes do período de maior demanda associado ao cultivo do milho 2ª safra de 2027. A retração também alcança os fertilizantes fosfatados, cujos custos vêm sendo pressionados pela alta das cotações do enxofre desde o início do conflito no Oriente Médio. Entre janeiro e setembro, os desembarques de fosfato monoamônico (MAP) ficaram cerca de 15% abaixo dos registrados no mesmo intervalo de 2025. As importações de superfosfato simples (SSP) diminuíram 24% na mesma comparação.
No mercado de SSP, a redução dos volumes importados também foi influenciada pela decisão de uma grande fabricante instalada no Brasil de diminuir a produção doméstica do fertilizante em razão do custo do enxofre. A combinação entre matéria-prima mais cara, menor produção local e redução das compras externas pode restringir a disponibilidade do produto e aumentar a pressão sobre o abastecimento. O cenário exige atenção à evolução das importações, à formação dos estoques e à capacidade de fornecimento do mercado interno antes do plantio do milho 2ª safra 2026/27. Caso a retração das compras se traduza em menor disponibilidade efetiva de nitrogenados e fosfatados, poderá haver reflexos sobre as decisões de adubação e, consequentemente, sobre a produtividade das lavouras. A recomendação é acompanhar esses possíveis efeitos nos próximos meses, especialmente diante da combinação entre custos elevados, condições comerciais menos favoráveis e redução dos volumes importados. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.