28/Oct/2026
A biotecnologia está presente em praticamente 100% das áreas de soja e algodão cultivadas com sementes certificadas no Brasil na safra 2025/26, segundo dados da plataforma CropData, mantida pela CropLife Brasil. Em contrapartida, o uso de sementes não certificadas cresceu 210% entre as temporadas 2021/22 e 2025/26, passando a ocupar um em cada cinco hectares cultivados com as duas culturas no País. A CropLife Brasil atribui à biotecnologia parte dos ganhos de produtividade que permitiram ampliar a produção agrícola sem expansão proporcional da área cultivada. Desde a introdução das sementes transgênicas, a área de soja e algodão cresceu 5% ao ano, enquanto a produção avançou 6,8%, conforme os dados apresentados pela entidade.
A tecnologia também é apontada como um instrumento para aumentar a resiliência das lavouras diante da maior instabilidade climática e da resistência crescente de pragas. Na soja, a tecnologia que combina resistência a insetos e tolerância a herbicidas ocupou 38 milhões de hectares na safra 2025/26, o equivalente a 78% da área total plantada, estimada em 48,6 milhões de hectares. A biotecnologia voltada exclusivamente à tolerância a herbicidas abrangeu 1 milhão de hectares, ou 2% do total. As sementes não certificadas responderam por 9,6 milhões de hectares, correspondentes a 20% da área nacional da oleaginosa. No algodão, a combinação de resistência a insetos e tolerância a herbicidas alcançou 1,1 milhão de hectares, equivalente a 55% da área cultivada na safra 2025/26. A tecnologia direcionada exclusivamente à resistência a insetos ocupou 800 mil hectares, ou 40% do total.
As lavouras de algodão com sementes não certificadas somaram 47 mil hectares, correspondentes a 2,4% da área da cultura. Nas duas atividades, as variedades convencionais são praticamente inexistentes entre as áreas cultivadas com sementes certificadas. Estudo realizado pela CropLife Brasil em parceria com a Agroconsult estima que os ganhos de produtividade proporcionados pela biotecnologia entre as safras 1998/99 e 2025/26 evitaram a necessidade de expandir a área agrícola brasileira em 21,4 milhões de hectares. O cálculo considera as culturas de soja, milho, algodão, feijão e cana-de-açúcar. No mesmo período, a dosagem de defensivos aplicada por hectare diminuiu 35% na soja e 27,5% no algodão, segundo a entidade. A redução teria evitado o consumo de 1,6 milhão de toneladas de produtos químicos.
Os resultados indicam efeitos da adoção tecnológica sobre o uso de insumos e a necessidade de área para produzir, embora os indicadores apresentados sejam estimativas do estudo. A CropLife também aponta diferenças de rentabilidade entre lavouras com sementes biotecnológicas e convencionais. A margem por hectare foi até 7% superior na soja e 64% maior no algodão com o uso de sementes transgênicas. A redução de custos com defensivos alcançou R$ 262 por hectare na soja e R$ 1.048 por hectare no algodão. A entidade estima ainda que a menor necessidade de expansão de área e de aplicação de defensivos contribuiu para evitar emissões de 70,4 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO₂). Os dados reforçam a importância econômica e ambiental atribuída à biotecnologia, enquanto o avanço das sementes não certificadas permanece como um ponto de atenção para o setor nas duas culturas. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.