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29/Oct/2026

Frete Rodoviário: preços elevados em MT até 2027

Segundo o Boletim Logístico de outubro da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a demanda pelo transporte rodoviário de milho em Mato Grosso deve manter os fretes em patamares relativamente elevados nos próximos meses, diante do volume ainda pendente de escoamento antes da entrada da nova safra de soja, no início de 2027. A previsão é de sustentação da procura por caminhões mesmo durante a entressafra, após uma colheita recorde de milho 2ª safra próxima de 58 milhões de toneladas no Estado. A recuperação gradual dos preços do milho contribuiu para destravar negócios e ampliar a demanda por transporte. Com a valorização do cereal, os fretes permaneceram próximos dos níveis registrados durante a colheita, período em que normalmente seria esperada uma redução das tarifas. O elevado volume de produção ainda a ser movimentado tende a manter esse suporte às cotações nos próximos meses. A demanda da indústria local também contribui para a sustentação dos fretes.

Cerca de 23 milhões de toneladas de milho serão destinadas ao mercado interno mato-grossense, das quais 16 milhões de toneladas para a produção de etanol. O consumo estadual praticamente dobrou em cinco anos, ampliando as viagens de curta distância para unidades industriais e terminais de transbordo. Esse movimento ajuda a explicar a resistência das tarifas para esses destinos, enquanto portos mais distantes e com menor movimentação, como Santarém (PA), registraram quedas mais acentuadas em um período de três meses. Em setembro, o frete de Sorriso para Rondonópolis subiu 6,3% ante agosto, para R$ 170,00 por tonelada. Na rota de Sorriso para Santos, a alta foi de 2%, para R$ 500,00 por tonelada, enquanto o transporte até Paranaguá avançou 2,1%, para R$ 490,00 por tonelada. Em sentido contrário, o frete de Sorriso para Santarém recuou 2,7%, para R$ 360,00 por tonelada, e a tarifa para Miritituba permaneceu em R$ 280,00 por tonelada.

Para o primeiro semestre de 2027, a Conab identifica um possível fator de redução da demanda logística: o menor volume de fertilizantes importado para Mato Grosso, em consequência dos preços elevados dos insumos. Embora esse cenário não implique necessariamente redução da área plantada, a tendência é de cortes nos investimentos e de otimização das aplicações, o que poderá limitar o potencial produtivo das lavouras e, consequentemente, o volume de grãos a ser transportado. No Brasil, as importações de fertilizantes somaram 28,46 milhões de toneladas de janeiro a setembro, ante 33,75 milhões de toneladas no mesmo período de 2025, o menor volume para os nove primeiros meses do ano na série histórica da Conab. Entre os principais portos, Santos (SP) foi a exceção, com desembarque de 6,5 milhões de toneladas, ante 5,8 milhões um ano antes. O Arco Norte recebeu 8,01 milhões de toneladas, contra 9,7 milhões, enquanto Paranaguá movimentou 6,2 milhões de toneladas, ante 8,5 milhões.

O desempenho do Porto de Santos está associado à preferência pela rota ferroviária para os Estados centrais, onde há percepção de maior estabilidade climática. A primeira estimativa da Conab para a safra brasileira de grãos 2026/27, divulgada em 15 de outubro, indica produção de 367,1 milhões de toneladas, aumento de 1,4% em relação à temporada anterior. A área plantada está projetada em 85,4 milhões de hectares, expansão de 2,3%. Para a soja, a previsão é de 181,6 milhões de toneladas, ante 180,4 milhões de toneladas na safra 2025/26. A sustentação dos fretes observada em Mato Grosso não se repete em todas as regiões produtoras. Em Mato Grosso do Sul, predominaram reduções nas tarifas em setembro, apesar do escoamento da safra de milho 2ª safra. Ao fim do mês, cerca de 6,5 milhões de toneladas de milho 2ª safra e 1,4 milhão de toneladas de soja ainda estavam por negociar no Estado. A contratação de caminhões, porém, depende do ritmo de comercialização dos grãos. No Paraná, o frete de Campo Mourão para Paranaguá aumentou 41,5%, de R$ 205,00 para R$ 290,00 por tonelada, com a intensificação dos embarques de soja.

A tarifa de Cascavel para Paranaguá recuou 11,9%, de R$ 210,00 para R$ 185,00 por tonelada. Nas rotas paulistas, a queda média foi de 7,33%, atribuída à baixa procura por veículos e à oferta limitada de produtos destinados ao porto. Os custos operacionais também podem restringir o recuo dos fretes durante a entressafra. No Distrito Federal, as tarifas aumentaram entre 1% e 5% em todas as rotas pesquisadas de agosto para setembro. Despesas com diesel, manutenção, pneus, mão de obra e pedágios são apontadas como fatores capazes de limitar novas reduções. Em Goiás, o preço médio do diesel S10 nas praças pesquisadas subiu 10,12% em setembro, de R$ 6,62 para R$ 7,29 por litro. Parte da pressão sobre os custos ainda poderá ser incorporada às cotações. A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) atualizou os coeficientes do piso mínimo do frete rodoviário, em vigor desde 30 de setembro, após o preço de referência do diesel S10 avançar 5,16%, para R$ 7,33 por litro. Como a atualização ocorreu no fim do período analisado, a Conab prevê que seus efeitos sejam mais perceptíveis nas cotações de outubro, ainda não divulgadas. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.