29/Oct/2026
Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), a eventual mudança na jornada de trabalho com o fim do regime 6x1 tende a ter impacto limitado sobre a indústria de máquinas e implementos agrícolas, uma vez que a maior parte das empresas do segmento opera no sistema 5x2. É necessário avaliar os efeitos de eventuais reduções adicionais de jornada conforme a participação da mão de obra na estrutura de custos de cada empresa. No segmento de máquinas agrícolas, ainda não há uma estimativa consolidada sobre o impacto de mudanças na jornada de trabalho. Relatos de empresas indicam, porém, que a mão de obra pode representar cerca de 2% do custo total, o que tenderia a limitar os efeitos sobre os preços dos equipamentos e as margens da indústria. A dimensão do impacto dependerá da composição dos custos e das características operacionais de cada fabricante.
A baixa produtividade da indústria brasileira em comparação com países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e com a China não deve ser atribuída aos trabalhadores. AS principais limitações estão relacionadas à estrutura produtiva, marcada pela presença de máquinas antigas e pelo baixo nível de robotização, fatores que restringem os ganhos de eficiência das fábricas. A combinação entre possíveis restrições adicionais à jornada e a escassez de mão de obra tende a estimular investimentos em automação, com o objetivo de elevar a produtividade sem ampliar proporcionalmente o número de funcionários. A dificuldade de contratação já leva empresas a buscar maior utilização de robôs e equipamentos automatizados. A decisão de acelerar esse processo, contudo, dependerá da viabilidade econômica dos investimentos. A possibilidade de automação varia conforme o perfil da produção. Linhas industriais com grande diversidade de produtos, baixa repetição e processos fragmentados apresentam maiores dificuldades para incorporar soluções automatizadas.
Em contrapartida, operações com volumes constantes e processos mais padronizados tendem a oferecer melhores condições para a robotização, inclusive em plantas industriais de menor porte. O principal obstáculo à modernização continua sendo o elevado custo de capital no Brasil, que dificulta a viabilização financeira dos projetos. Quando as margens obtidas com a venda dos produtos não compensam o custo dos recursos necessários para investir, as empresas adiam a renovação do parque fabril e a adoção de novas tecnologias. Nesse contexto, a ampliação da automação depende não apenas da disponibilidade de equipamentos e da necessidade de elevar a produtividade, mas também de condições de financiamento que permitam recuperar os investimentos. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.