29/Oct/2026
Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), a baixa rentabilidade das principais culturas agrícolas, e não apenas o custo do crédito rural, é o principal entrave à contratação de financiamentos para aquisição de máquinas e implementos agrícolas. A retração das vendas ao longo de 2026 está relacionada à compressão das margens em culturas como soja, milho e cana-de-açúcar, pressionadas por preços internacionais mais baixos e incertezas climáticas. Mesmo linhas de financiamento tradicionalmente utilizadas para a compra de equipamentos, como o Programa de Modernização da Frota de Tratores Agrícolas e Implementos Associados e Colheitadeiras (Moderfrota), perdem capacidade de estimular investimentos quando o produtor não identifica retorno econômico suficiente.
Com margens reduzidas, a decisão de contratar crédito depende principalmente da capacidade de pagamento e da previsibilidade da receita agrícola. As taxas de juros variam conforme a modalidade de financiamento. O crédito do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) tem taxa de 5%, enquanto linhas da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) operam a 9% e o Moderfrota apresenta taxas entre 11,5% e 12,5%, conforme os percentuais mencionados pela Abimaq. Para Estevão, o cenário de renda mais fraca nas principais culturas ajuda a explicar a redução da demanda por máquinas, mesmo diante da disponibilidade de linhas específicas para investimento. Em relação ao endividamento rural, é pouco provável a abertura de uma nova rodada ampla de renegociação de dívidas para produtores afetados por eventos climáticos.
Eventuais medidas devem ser mais restritas e condicionadas à comprovação de perdas relevantes decorrentes de adversidades climáticas. Nesse contexto, não há justificativa para um programa específico de renegociação de dívidas em Mato Grosso do Sul, considerando a avaliação de que não houve impactos climáticos relevantes no período. Sem a caracterização de perdas decorrentes de eventos adversos, medidas de alongamento e repactuação de passivos teriam menor sustentação técnica. A perspectiva para a retomada dos investimentos está associada à recuperação gradual das margens no campo, impulsionada pela evolução dos preços das commodities e pelo comportamento do câmbio. A melhora da rentabilidade e da capacidade de pagamento dos produtores tende a ser mais determinante para reativar as compras de máquinas e implementos do que novas renegociações generalizadas de dívidas ou mudanças nas taxas de juros do crédito rural. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.