29/Oct/2026
O Brasil poderá importar entre 12% e 14% menos fertilizantes em 2026, apesar da expansão de 2,3% da área cultivada prevista para a safra 2026/27. Projeção baseada em dados oficiais do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) indica que as compras externas poderão alcançar aproximadamente 40,2 milhões de toneladas no cenário mais favorável. O volume representa redução de 5,3 milhões de toneladas em relação a 2025, quando as importações atingiram o recorde de 45,5 milhões de toneladas. A estimativa considera os dados acumulados até a terceira semana de outubro e projeções para os meses restantes do ano. A retração poderá chegar a 13% ou 14% caso o ritmo das compras externas permaneça abaixo do registrado no mesmo período de 2025. O movimento é relevante diante da dependência brasileira do mercado internacional, uma vez que mais de 85% das matérias-primas utilizadas na produção de fertilizantes consumidos no País são importadas.
A redução esperada nas compras está associada principalmente à necessidade de conter os custos de produção e preservar as margens de rentabilidade dos produtores rurais. Diferentemente do período posterior ao início da guerra entre Rússia e Ucrânia, quando os preços internacionais dos fertilizantes dispararam, a retração projetada para 2026 não decorre de uma nova escalada das cotações. Entre 2021 e 2023, o preço médio do fertilizante importado chegou a superar US$ 700,00 por tonelada, aproximadamente o dobro dos US$ 340,00 a US$ 350,00 por tonelada registrados antes do conflito. Em 2026, o valor médio retornou para a faixa de US$ 350,00 por tonelada. Mesmo com a redução em relação aos picos anteriores, os custos totais da atividade agrícola e a necessidade de proteger a rentabilidade continuam influenciando as decisões de compra e aplicação de insumos.
A perspectiva de menor utilização de fertilizantes reforça a importância do planejamento técnico da adubação. Análises de solo e tecnologias de agricultura de precisão, como a aplicação em taxas variáveis, permitem ajustar as doses às necessidades de cada área, reduzir desperdícios e despesas e preservar a nutrição das lavouras e o potencial produtivo da safra 2026/27. Na logística de abastecimento, o Porto de Paranaguá, no Paraná, vem perdendo participação nas importações brasileiras de fertilizantes. O terminal respondeu por aproximadamente 25% do volume nacional em 2024, proporção que caiu para 24% em 2025 e deverá recuar para 22% em 2026. Parte dessa mudança está relacionada ao avanço da movimentação pelos portos do Arco Norte, que ampliam sua participação no abastecimento do agronegócio. A redução do volume total importado também tende a afetar Paranaguá, em razão da importância do terminal nesse mercado. Fonte: Canal Rural. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.