29/Oct/2026
Segundo o Sindicato das Indústrias de Adubos e Corretivos Agrícolas no Estado do Paraná (Sindiadubos-PR), as entregas de fertilizantes no Brasil devem recuar entre 10% e 15% em 2026, em relação ao recorde histórico de 49,1 milhões de toneladas registrado em 2025. A estimativa do aponta para recuperação em 2027, quando o volume entregue poderá alcançar 47,5 milhões de toneladas. As entregas devem totalizar 43,6 milhões de toneladas em 2026, queda de 11% ante o ano anterior. Como as estimativas são revisadas mensalmente, a retração poderá ser maior, dependendo da evolução do mercado até o encerramento do ano. A redução das entregas é acompanhada pela diminuição da aplicação de nutrientes nas lavouras.
A Agrinvest estima que a aplicação média de pentóxido de fósforo (P₂O₅) tenha recuado para 45,2 quilos por hectare em 2026, o menor nível da série histórica, ante 72,6 quilos por hectare em 2021. Entre janeiro e setembro, as entregas de nitrogênio diminuíram 21%, enquanto as de ureia recuaram 20% e as de sulfato de amônia, 18%. O desempenho do setor foi afetado por oscilações atípicas nos preços dos fertilizantes, conflitos geopolíticos, sanções comerciais, juros elevados, custos de frete e mudanças tributárias. Esses fatores pressionaram as margens dos produtores rurais e reduziram a capacidade de investimento em insumos. Apesar das dificuldades, o Sindiadubos-PR avalia que não houve falta de fertilizantes no mercado e não prevê desabastecimento.
Para 2027, a Agrinvest projeta recuperação do consumo, sustentada pelo aumento do volume de milho destinado à produção de etanol, pela expansão de culturas como o sorgo e pelo ciclo de produção da soja. A perspectiva também considera a adequação da oferta de insumos e a estabilização dos custos de produção agrícola no Brasil. A retomada, entretanto, dependerá da evolução da rentabilidade das lavouras e das condições de aquisição dos fertilizantes. A retração prevista para 2026, somada à redução da aplicação de fósforo e de outros nutrientes, evidencia o impacto dos custos sobre as decisões de manejo e investimento dos produtores, enquanto a recuperação projetada para o próximo ano permanece condicionada às condições de mercado. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.