03/Nov/2026
O Arco Ferroviário do Sudeste, primeiro projeto ferroviário da carteira de concessões de 2027, está entre os empreendimentos que despertaram maior interesse de investidores estrangeiros durante o roadshow do Ministério dos Transportes em Londres. O projeto conectará 15 portos e contará com recursos do governo por meio de investimentos cruzados das concessionárias MRS e Rumo, que destinarão ao empreendimento valores que, de outra forma, seriam recolhidos ao Tesouro Nacional. A estrutura de financiamento reduz os riscos do projeto e reforça sua importância para o governo, na avaliação do ministro dos Transportes, Georges Santoro. A integração logística, com conexões entre portos, ferrovias e rodovias, também é considerada um diferencial, uma vez que o empreendimento poderá funcionar como integrador de soluções logísticas. As ferrovias concentram mais da metade das reuniões realizadas em Londres, segundo o ministro, indicando a expectativa de um ciclo relevante de investimentos no segmento.
No primeiro dia da missão, a comitiva se reuniu com o banco UBS, a gestora Victoria Hill Capital Partners, a Brookfield, o banco HSBC e a gestora Pátria. A missão tem atraído inicialmente investidores interessados em adquirir títulos de dívida que serão emitidos pelos projetos, tanto os novos quanto os já contratados. O ministério estima que os investimentos já contratados em rodovias somem R$ 400 bilhões, volume que exigirá emissões de títulos e contratação de empréstimos pelas operadoras. Como parte da aproximação com esse mercado, a pasta também se reuniu com a Global Infrastructure Investor Association Limited (GIIA), associação londrina de fundos de infraestrutura. Além do financiamento por dívida, investidores demonstraram interesse em participar diretamente dos empreendimentos, inclusive por meio da aquisição de participações em contratos já em vigor. A procura inclui operações de fusões e aquisições, com a possibilidade de compra de ativos concedidos após a fase de maturação dos projetos.
Embora o objetivo inicial da missão fosse ampliar o acesso a capital para financiamento, as conversas também indicaram interesse dos estrangeiros em assumir posições societárias nos empreendimentos. O trecho ferroviário entre Minas Gerais e o Rio de Janeiro, com quase 800 quilômetros de extensão, será leiloado em 17 de dezembro e é o primeiro projeto da carteira ferroviária a avançar para a fase de concessão. Como o certame está próximo, o ativo não é prioridade nas discussões do roadshow, segundo Santoro. O empreendimento seguirá um modelo de chamamento público na B3. O vencedor assumirá a operação e terá dois anos para apresentar um cronograma de investimentos. Caso a solução proposta dispense recursos públicos, o ativo não retornará ao mercado. Se houver solicitação de aporte governamental, o projeto será novamente oferecido a outros investidores na B3, em formato semelhante ao utilizado na otimização de contratos rodoviários.
As estimativas de investimento variam de R$ 1,5 bilhão a R$ 4 bilhões, conforme consultas do ministério a empresas. Por se tratar de uma autorização ferroviária, o prazo será de 99 anos e não haverá teto tarifário, o que permitirá à operadora estabelecer preços inclusive superiores aos atualmente praticados no mercado, conforme as condições comerciais do empreendimento. A carteira de projetos de 2027 foi lançada no Brasil cerca de 15 dias antes do roadshow em Londres. No ano passado, a apresentação internacional dos empreendimentos ocorreu em Nova York. A volatilidade cambial recente foi considerada pontual pelos investidores consultados em Londres, segundo o ministro, que abordou o tema em algumas reuniões. Nas matrizes de risco utilizadas por esse público, os principais fatores de avaliação são demanda, engenharia e questões ambientais. O câmbio permanece como variável relevante, mas tende a ter maior peso para investidores com horizonte de curtíssimo prazo.
O interesse estrangeiro na aquisição de participações em projetos novos e já contratados também foi interpretado pelo ministro como sinal de confiança no Brasil e nas perspectivas de longo prazo do País. Segundo Santoro, os investidores demonstraram uma avaliação positiva do resultado das eleições, associada à solidez das instituições brasileiras, e não manifestaram preocupação com a situação fiscal. A percepção apresentada nas reuniões em Londres contrasta com o pessimismo observado em parte do mercado doméstico em relação às contas públicas. Na avaliação do ministro, investidores com foco em infraestrutura de longo prazo consideram que os mecanismos institucionais brasileiros permitirão encaminhar a questão fiscal. Santoro, contudo, reconhece a necessidade de atenção ao tema e considera importante a construção de uma trajetória consistente que contribua para reduzir as preocupações do mercado financeiro local. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.