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04/Nov/2026

Gás Natural: consumo cresce no Brasil no 1º semestre

De acordo com o levantamento estatístico da Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado (Abegás), que acompanha o consumo nos segmentos industrial, de geração elétrica, comercial e residencial, entre outros, o volume total de gás natural movimentado no Brasil alcançou 57,5 milhões de metros cúbicos por dia (m³/d) no primeiro semestre de 2026, aumento de 15,36% em relação à média de 49,9 milhões de m³/d registrada em igual período de 2025. O principal fator de crescimento foi a geração elétrica, cujo consumo avançou 49%, passando de 11,4 milhões de m³/d na primeira metade de 2025 para 17 milhões de m³/d no primeiro semestre de 2026. A indústria, maior consumidora nacional de gás natural, apresentou expansão mais moderada, de 4,5%, com o volume médio diário passando de 29,5 milhões para 30,8 milhões de m³/d. Outros segmentos também registraram crescimento. O consumo residencial aumentou 2,3%, para uma média de 1,5 milhão de m³/d, enquanto a demanda por gás utilizado como matéria-prima avançou 8%, alcançando 556,3 mil m³/d.

O segmento comercial permaneceu estável, com média de 881 mil m³/d. Em sentido contrário, o consumo automotivo recuou 7,4%, para 3,8 milhões de m³/d, e o de cogeração diminuiu 5,3%, para 1,2 milhão de m³/d. O cenário geopolítico e a necessidade de reindustrialização reforçam a importância estratégica do gás natural para a matriz energética brasileira. A entidade aponta como prioridades a ampliação da oferta e da infraestrutura, além da redução da dependência de combustíveis importados, como o diesel. A expansão da demanda elétrica evidencia a contribuição do gás para a segurança energética, enquanto a competitividade industrial depende de avanços na infraestrutura e na estrutura tarifária do transporte. Entre os desafios regulatórios, a associação destaca a necessidade de concluir a revisão tarifária do transporte de gás, evitando a cobrança duplicada por ativos já remunerados. A redução de custos em etapas como escoamento, processamento e transporte também é considerada necessária para ampliar a competitividade e sustentar o crescimento do consumo industrial.

A entidade defende ainda a expansão da infraestrutura para interiorizar o fornecimento de gás natural e ampliar o número de consumidores. Nesse contexto, aponta oportunidades relacionadas à regulamentação do Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter (Redata), com inclusão de projetos abastecidos por gás natural sem restrições, e à criação de políticas públicas para estimular a demanda de frotas pesadas movidas a gás. O mercado livre também apresentou crescimento. Em junho de 2026, o volume movimentado nesse ambiente alcançou 34,6 milhões de m³/d, ante 25,3 milhões de m³/d em junho de 2025. No segmento industrial, a movimentação passou de 13,3 milhões para 19,8 milhões de m³/d no período. A geração elétrica respondeu por 12,8 milhões de m³/d no mercado livre, enquanto a cogeração registrou 492 mil m³/d. Apesar da expansão, a Abegás considera que o desenvolvimento do mercado livre exige maior transparência nas relações comerciais. A entidade defende a divulgação integral dos contratos de suprimento e sugere que a governança dessas informações seja atribuída a uma câmara de comercialização, a exemplo da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).

A proposta busca estabelecer referências de preços e ampliar a segurança para os agentes do setor. Na infraestrutura de distribuição, o número de clientes conectados aumentou de 4,8 milhões em junho de 2025 para 5,1 milhões em junho de 2026. A extensão da malha de distribuição passou de 45,8 mil quilômetros para 47,4 mil quilômetros, crescimento de 3,65%. O número de municípios atendidos também avançou, de 510 para 520. A ampliação da rede e da base de consumidores é considerada fundamental pela associação para disseminar o acesso ao gás natural e ao biometano, com potencial de contribuir para a modicidade tarifária e a redução de custos no longo prazo. A entidade também destaca a importância da autonomia e da independência das agências reguladoras estaduais para assegurar estabilidade regulatória, segurança jurídica e condições favoráveis à atração de investimentos. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.