04/Nov/2026
Segundo a StoneX, o estoque de fertilizantes fosfatados importados pelo Brasil, considerando MAP, TSP, SSP e NP, estava 20% menor até setembro de 2026, em comparação com igual período de 2025. A redução acende um alerta sobre a disponibilidade de nutrientes para a 2ª safra de milho 2026/27. A retração das compras externas reflete o aumento dos custos de produção e os gargalos logísticos no Oriente Médio. Em 2025, três em cada dez toneladas de MAP e DAP exportadas mundialmente tiveram origem no Oriente Médio. A Arábia Saudita, principal destaque regional, é o segundo maior fornecedor de MAP para o Brasil, atrás apenas da Rússia. Neste ano, as exportações sauditas enfrentaram restrições de navegação no Estreito de Ormuz, no Mar Vermelho e no Estreito de Bab-el-Mandeb, comprometendo o fluxo comercial. Outro fator de pressão é a escassez global de enxofre, matéria-prima utilizada na fabricação de ácido sulfúrico, empregado na produção de MAP e DAP.
O quadro foi agravado pela interrupção de embarques da Rússia e por dificuldades de transporte no Cazaquistão. A elevação dos custos do insumo levou fabricantes no Brasil, nos Estados Unidos e em outros países a paralisarem linhas de produção ou reduzirem o ritmo de atividade. No mercado internacional, o preço do MAP avançou de US$ 740,00 por tonelada no período anterior à guerra para o pico de US$ 900 por tonelada, alta de 22%. No mercado doméstico, a relação de troca para aquisição do fertilizante aumentou de 29 para 35 sacas de 60 Kg por tonelada de soja e de 70 para 95 sacas de 60 Kg por tonelada de milho. Entre março e setembro, as importações mensais brasileiras de MAP, TSP, SSP e NP permaneceram abaixo dos volumes registrados nos anos anteriores. As cotações do enxofre nos Estados Unidos recuaram de US$ 1.200,00 por tonelada em agosto para a faixa de US$ 720,00 por tonelada, mas continuam acima dos US$ 400,00 por tonelada observados há um ano.
A pressão sobre os custos tem levado produtores norte-americanos a reduzir as doses de aplicação de MAP, de 200 quilos para volumes entre 140 e 160 quilos por hectare, corte de 20% a 30%. A China também mantém restrições aos embarques de MAP, DAP e NP para o mercado externo, contribuindo para sustentar os preços internacionais em patamares elevados. Por outro lado, a menor pressão compradora da Índia e as desvalorizações da soja e do milho na Bolsa de Chicago podem limitar as cotações do MAP no curto prazo, com possibilidade de aproximação do nível de suporte de US$ 760,00 por tonelada. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.