06/Nov/2026
Cerca de 75% dos empresários industriais consideram o setor de transportes o principal gargalo da infraestrutura brasileira, segundo pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI). A percepção é acompanhada por avaliações positivas reduzidas dos diferentes modais: portuário (44%), rodoviário (38%), hidroviário (27%) e ferroviário (21%). Apesar das limitações apontadas, 98% das empresas utilizam rodovias para o transporte de cargas, inclusive em trajetos de longa distância. Entre as empresas que recorrem ao modal rodoviário, 49% transportam cargas por distâncias superiores a 800 quilômetros. Desse grupo, 23% percorrem mais de 1,6 mil quilômetros. Para a CNI, os dados evidenciam a dependência do transporte rodoviário no Brasil e a necessidade de ampliar a integração com ferrovias, hidrovias e cabotagem, especialmente nos percursos mais longos.
O levantamento também identifica insatisfação dos empresários com as condições das rodovias, trechos ferroviários abandonados, limitações de acesso e capacidade nos portos, falhas no fornecimento de energia, dificuldades de conectividade à internet e restrições ao tratamento e à destinação de efluentes. A pesquisa indica disposição para transferir parte das operações de transporte para outros modais caso houvesse infraestrutura adequada. Entre as empresas que utilizam rodovias, 45% afirmaram que migrariam ao menos parte das cargas nessa condição. O transporte ferroviário lidera as alternativas, com 67% das menções, seguido pelo aéreo (21%), cabotagem (6%), portuário (3%) e hidroviário (3%). A redução dos custos de transporte é o principal fator que motivaria a mudança, citada por 82% dos empresários dispostos a transferir parte das operações.
A infraestrutura ferroviária apresenta a avaliação mais negativa entre os modais pesquisados, com apenas 21% dos empresários classificando suas condições como ótimas ou boas. O cenário é marcado pela redução e subutilização da malha ferroviária brasileira, que atualmente soma cerca de 30 mil quilômetros, ante 37 mil quilômetros na década de 1950. Desse total, aproximadamente 12 mil quilômetros estão sem operação, abandonados ou totalmente ociosos. Embora 99% da malha esteja sob responsabilidade de concessionárias privadas, a operação privada não assegurou, por si só, o aproveitamento eficiente da infraestrutura existente. A CNI aponta dificuldades de acesso à malha, direito de passagem, capacidade operacional e interoperabilidade entre redes como entraves à integração ferroviária e à ampliação do transporte de cargas pelo modal.
Diante da limitação dos recursos públicos, a entidade considera o capital privado cada vez mais importante para financiar a expansão e a modernização da infraestrutura brasileira. Os setores de telecomunicações e aeroportos são apontados como exemplos de como investimentos privados, associados a ambientes regulatórios mais maduros, regras estáveis e modelos consolidados, podem contribuir para ampliar a infraestrutura e melhorar a qualidade dos serviços. Além da logística, o custo da energia também representa pressão relevante para a indústria. Para 81% dos empresários, o preço da eletricidade é alto ou alto demais. Encargos e tributos correspondem a 44% da conta de energia elétrica, sendo 18% referentes a encargos e 26% a tributos.
A participação de encargos e subsídios na tarifa passou de 2,9% em 2017 para 18% em 2025. Nesse contexto, a entidade aponta a necessidade de melhorar a qualidade e a confiabilidade do fornecimento de energia e conter o avanço dos encargos e subsídios que pressionam as tarifas, com o objetivo de reduzir os custos de produção no Brasil. A pesquisa Panorama da Infraestrutura: Principais Demandas da Indústria Brasileira foi realizada pela Nexus, a pedido da CNI, por telefone, entre 26 de março e 26 de maio de 2026. Foram entrevistados 2,5 mil empresários de médias e grandes indústrias nos 26 Estados e no Distrito Federal. A margem de erro máxima é de 2,5%, com nível de confiança de 95%. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.