27/Aug/2024
Segundo a Agrinvest Commodities, o Brasil aproveitou condições comerciais favoráveis para recompor seus estoques de glifosato, o herbicida mais usado no País, sobretudo nas lavouras de soja e milho. No primeiro semestre de 2024, as importações do defensivo subiram 67% em relação a igual período do ano anterior, somando 63,8 mil toneladas. Os preços do glifosato, que haviam disparado entre 2021 e 2022, atingindo até US$ 10,90 por Kg, foram cedendo e se estabilizaram atualmente em US$ 3,50 por Kg. Os volumosos estoques de 2023 foram sendo consumidos, com a redução nas importações. A normalização nos preços neste momento se deve também à retomada das vendas do produto pela China, que forneceu 82% do que o Brasil comprou de glifosato de janeiro a junho deste ano. A crise energética no país asiático, que havia impulsionado os preços, foi superada, fazendo com que as cotações recuassem aos níveis pré-pandemia.
As importações aumentaram por causa do custo mais baixo do glifosato. As cotações estão em níveis pré-pandemia, com uma demanda maior no Brasil, impulsionada pelo crescimento da área plantada na safra 2024/2025. O Brasil também importa glifosato dos Estados Unidos. Apesar da recente queda nos preços do princípio ativo, porém, o mercado doméstico enfrenta desafios. A volatilidade do dólar tem causado oscilações nos preços internos, com o herbicida variando de R$ 34,00 por Kg em abril de 2023 para R$ 22,00 por Kg em abril de 2024, antes de subir para R$ 28,00 por Kg em julho. O câmbio continua sendo um fator-chave na formação dos preços do insumo no País. A valorização do dólar adiciona pressão aos custos para o consumidor final. A logística também aumentou os custos. O Shanghai Containerized Freight Index, que mede os custos de frete de contêineres, quase dobrou em menos de três meses, alcançando 3.475,60 pontos em junho de 2024.
O fluxo marítimo, afetado pelos conflitos no Oriente Médio desde outubro, sofre atrasos com o redirecionamento de navios para os Estados Unidos e a Europa, o que resulta em fretes mais caros. O valor do frete de contêineres subiu quase 100% em três meses e meio. Isso gera incerteza para os importadores. O aumento do frete marítimo encarece a logística de importação, pois as empresas costumam comprar FOB (free on board, ou seja, a empresa se responsabiliza pelo pagamento do frete), o que tende a elevar o preço para o consumidor final. No entanto, o impacto não é imediato. Qualquer movimento no mercado global é rapidamente refletido nos preços no Brasil, mas, no caso dos defensivos agrícolas, há um atraso. Isso depende do momento em que a empresa fez a compra e do estoque disponível. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.