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26/Jan/2026

Preços do milho em baixa no mercado doméstico

A maior oferta de milho neste início de ano, o clima favorável à cultura no Brasil e o progresso da colheita da safra de verão (1ª safra 2025/2026) seguem pressionando os valores do cereal. Além disso, as recentes quedas também refletem a menor demanda interna, pois os compradores seguem priorizando a utilização dos lotes negociados anteriormente. Assim, o Indicador ESALQ/BM&F (Campinas - SP) registra recuo de 4% na parcial deste mês. Parte desses compradores, além de terem estoques, acredita que, conforme a colheita de soja avança, os vendedores devem ter necessidade de liberar espaço nos armazéns e fazer caixa. Inclusive, esse cenário já vem sendo observado em partes do Paraná e de Mato Grosso, que estão com a colheita da soja mais adiantada, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Nos últimos sete dias, especificamente, o Indicador ESALQ/BM&F (Campinas - SP) apresenta baixa de 2,4%, cotado a R$ 66,72 por saca de 60 Kg.

Nos últimos sete dias, no mercado de balcão (preço pago ao produtor) as cotações acumulam queda de 0,7%. Na parcial de janeiro, a queda é de 2,1%. No mercado de lotes (negociação entre empresas), as quedas são de respectivos 1,3% e 2,3%. No mercado futuro, a boa disponibilidade do cereal também pressiona as cotações negociadas na B3. Nos últimos sete dias, o contrato Março/2026 registra baixa de 2,8%, a R$ 69,31 por saca de 60 Kg; Maio/2026 tem queda de 2,3%, para R$ 68,76 por saca de 60 Kg; e Julho/2026, -2%, para R$ 67,6 por saca de 60 Kg. Parte da pressão sobre os valores neste momento é reflexo do alto estoque remanescente. Vale lembrar que, apesar de o atual percentual comercializado ser maior em alguns Estados, o volume produzido em 2024/2025 foi 22% superior ao de 2023/2024, segundo dados da Conab. Em Mato Grosso do Sul, informações da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado (Famasul) mostram que 80% da produção havia sido comercializada até meados de janeiro, avanço de 3% em relação ao mesmo período de 2025.

Em Mato Grosso, o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) aponta que 88,29% da safra 2024/2025 havia sido comercializada até meados de janeiro, abaixo dos 93,66% registrados em 2023/2024. No Paraná, o Departamento de Economia Rural (Deral/Seab) indica que, até meados de dezembro/2025, 70% da produção de milho da 2ª safra de 2025 havia sido negociada, 4% abaixo do verificado no mesmo período do ano anterior. Os preços nos portos, apesar de nominais, têm caído com mais força, refletindo as recentes desvalorizações internacionais e do dólar. Nos últimos sete dias, as cotações nos portos de Santos (SP) e Paranaguá (PR) registam baixa de consideráveis 3,4% e 2,4%. Quanto aos embarques, o Brasil exportou 2,7 milhões de toneladas do cereal na parcial de janeiro (11 dias úteis), com média diária de 246,64 mil toneladas. Caso permaneçam neste ritmo até o final do mês, as exportações brasileiras podem chegar a 5 milhões de toneladas em janeiro, acima dos 3,5 milhões registrados no primeiro mês de 2025, segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

Paralelamente à colheita da safra de verão (1ª safra 2025/2026) nas Regiões Sul e no Sudeste do País, a semeadura da 2ª safra de 2026 teve início em algumas regiões do Sul e do Centro-Oeste. Até o dia 17 de janeiro, a colheita da safra de verão (1ª safra 2025/2026) havia alcançado 4,4% na média nacional, enquanto a semeadura da 2ª safra de 2026 chegou a 0,8%, ambos abaixo da média das últimas cinco temporadas, de 6,5% e 2,5%, respectivamente, segundo a Conab. Especificamente sobre a safra de verão (1ª safra 2025/2026), no Paraná, a colheita chegou a 1% da produção até o dia 19 de janeiro, conforme o Deral/Seab. No Rio Grande do Sul, as atividades atingiram 21% da área estadual até o dia 22 de janeiro, segundo a Emater-RS. Em Santa Catarina, a colheita chegou a 2,8% da área estadual até o dia 17 de janeiro, segundo a Conab. Quanto à 2ª safra de 2026, as atividades estão concentradas no Paraná e em Mato Grosso até o momento.

No Paraná, a semeadura ainda está no início, atingindo 2% da área estimada. Em Mato Grosso, o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) indica que as atividades alcançaram 2,79% da área estadual até o dia 16 de janeiro. Os futuros de milho negociados na Bolsa de Chicago acumulam leve alta nos últimos sete dias, influenciados por um movimento de correção. Vale destacar que as cotações vinham sendo pressionadas pela safra recorde nos Estados Unidos, de mais de 430 milhões de toneladas. Com isso, nos últimos sete dias, os contratos Março/2026 e Maio/2026 têm alta de 0,9% e 1%, a US$ 4,24 por bushel e a US$ 4,32 por bushel, respectivamente. Na Argentina, segundo a Bolsa de Cereais de Buenos Aires, a semeadura chegou a 93,1% da área nacional até o dia 22 de janeiro, avanço semanal de 1,4%, mas atraso de 5,3% em relação à temporada anterior, devido às chuvas registradas nas regiões agrícolas. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.