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27/Jan/2026

Etanol de Milho: impacto no açúcar e biocombustíveis

Relatório do Rabobank, intitulado “Corn ethanol in Brazil - yellow alert for sugar?”, alerta para os efeitos da forte expansão do etanol de milho no Brasil sobre os mercados de açúcar e biocombustíveis. A ameaça de um desequilíbrio no mercado de etanol acende um “alerta amarelo” para a indústria do açúcar no Brasil e em outros países. O crescimento da produção do biocombustível à base de milho tem sido acelerado, sustentado por um modelo de negócio robusto e competitivo. Como resultado, os investimentos em capacidade adicional seguem em ritmo intenso. No entanto, a perspectiva de uma expansão muito rápida levanta preocupações quanto a um possível excesso de oferta de etanol no curto e médio prazo no Brasil. Pelo lado da demanda, um consumo adicional pode surgir de diversas formas, como o aumento da mistura obrigatória de etanol na gasolina, uma mudança estrutural no consumo decorrente da reforma da tributação dos combustíveis e/ou o crescente interesse local e global por combustíveis sustentáveis para a aviação e o transporte marítimo.

Por outro lado, grande parte desses fatores é uma perspectiva de mais longo prazo (2029-2030) e, diante da rápida expansão da capacidade de produção de etanol de milho, pode ser difícil que a demanda cresça no mesmo ritmo no curto e médio prazo. Essa ameaça de desequilíbrio no mercado de etanol reforça o sinal amarelo para a indústria sucroenergética no Brasil e no mundo. Um excesso de oferta de etanol pressionaria os preços do biocombustível, o que poderia se traduzir em maior produção de açúcar, à medida que as usinas brasileiras arbitram as margens entre os dois produtos, levando os preços do açúcar e do etanol à paridade. Para 2026, a expectativa de que a próxima safra de cana-de-açúcar do Brasil (2026/2027) seja robusta pode já ter precificado esse cenário. Olhando mais à frente, há, evidentemente, diversas razões pelas quais esse cenário pode não se repetir nos anos seguintes, apesar do crescimento da oferta de etanol no Brasil, por exemplo, eventos climáticos podem impactar negativamente a produção global de açúcar, ou uma alta nos preços do petróleo e da gasolina pode dar suporte aos preços do etanol.

Ainda assim, o tema merece atenção, uma vez que qualquer mudança relevante no mercado brasileiro de etanol pode ter repercussões para os agentes do setor sucroenergético ao redor do mundo. Há uma década, a indústria de etanol de milho praticamente não figurava no radar. Para a safra 2025/2026, no entanto, a produção deve se aproximar de 10 bilhões de litros. No Brasil, existem dois modelos de plantas de etanol de milho. O primeiro é a planta “full”, uma unidade industrial tradicional e independente; o segundo é a planta “flex”, uma unidade de etanol de milho anexa a uma usina de cana-de-açúcar já existente. A grande maioria da capacidade instalada ou em construção é do tipo “full”. A expectativa é de continuidade dos investimentos em capacidade adicional. A análise do RaboResearch sobre projetos autorizados pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), somada a projetos anunciados por patrocinadores considerados confiáveis, mas ainda não incluídos na lista da agência, sugere que, até o final de 2028, a capacidade operacional de produção de etanol pode alcançar até 16 bilhões de litros, principalmente a partir do milho, mas também de outros cereais, como sorgo e trigo.

Em um horizonte ainda mais distante, diversas projeções de agentes do setor e consultorias indicam que, no início da década de 2030, essa capacidade pode ultrapassar 20 bilhões de litros. O setor sucroenergético, que ainda responde por cerca de dois terços de todo o etanol produzido no Brasil, não pode deixar de observar a expansão do etanol de milho com preocupação. Nos últimos anos, o setor de etanol de cana-de-açúcar tem se concentrado em maximizar a produção de açúcar, diante de preços de mercado atrativos. Com isso, menos cana-de-açúcar vem sendo destinada à produção de etanol, abrindo espaço para o crescimento do etanol de milho sem provocar, até agora, um desequilíbrio imediato entre oferta e demanda. Com o pico cíclico dos preços do açúcar já no passado e a capacidade de etanol de milho crescendo de forma contínua, as perspectivas de curto e médio prazo apontam para desafios à frente. Para 2026, a resposta tradicional do setor de cana-de-açúcar a preços baixos em um mercado de açúcar superavitário (produzir mais etanol e menos açúcar) pode gerar um excesso de etanol no mercado doméstico. Fonte: Money Times. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.