27/Jan/2026
O mercado brasileiro de milho deve seguir operando de forma lateral no curto prazo, com pouca fluidez no mercado físico e movimentos pontuais concentrados nos contratos mais longos da B3. A leitura predominante é de conforto no abastecimento interno neste início de ano, sem pressão relevante de venda por parte do produtor, enquanto eventuais riscos climáticos para 2ª safra de 2026 aparecem, por ora, apenas de forma marginal na curva futura. A entrada da soja não deve provocar uma onda de vendas de milho, como ocorre em outros ciclos, pois grande parte do milho disponível no Brasil está nas mãos de cerealistas ou em estruturas de comercialização das tradings. Esse cereal não está com o produtor, então a pressão de venda para abrir espaço no armazém praticamente não existe. A valorização observada nos vencimentos mais distantes da B3 reflete muito mais o posicionamento de agentes com baixa liquidez do que uma mudança concreta nos fundamentos.
Não há risco relevante nos principais Estados produtores (Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Paraná). Os pontos de atenção estão em Goiás e Minas Gerais, onde pode haver algum impacto climático. Ainda assim, eventuais ajustes devem ocorrer mais via produtividade do que por uma quebra expressiva de área. No mercado físico, a ausência de exportações mantém as cotações estáveis e o consumo concentrado no mercado doméstico. Sem embarques externos neste momento, o milho fica basicamente dependente da demanda de confinamentos, granjas e da indústria de etanol. A indústria, inclusive, está bem abastecida e, em alguns casos, operando estratégias de trading. O cenário tende a permanecer estável no curto prazo, com possibilidade de alguma firmeza em março, no pico da entressafra, e pressão mais clara a partir de junho, com o avanço da colheita da 2ª safra de 2026.
Em Mato Grosso, na região de Sorriso, os vendedores estão focados na colheita e na comercialização de soja e deixam as negociações de milho de lado. Não há fatores que possam elevar os preços do milho no curto prazo. As indústrias indicam pelo milho da 2ª safra de 2025, R$ 46,00 por saca de 60 Kg FOB, para embarque e pagamento em janeiro ou R$ 47,00 por saca de 60 Kg CIF, em iguais prazos. Os vendedores indicam R$ 60,00 por saca de 60 Kg. As tradings já finalizaram os seus programas de embarque e a demanda interna está fraca. As vendas da 2ª safra de 2026 são pontuais, visto que os produtores estão focados em colher a soja. Tradings indicam R$ 49,50 por saca de 60 Kg FOB, via cooperativas, para embarque e pagamento em outubro. Indústrias de etanol indicam R$ 45,00 por saca de 60 Kg CIF, para entrega em julho e pagamento em agosto. Os vendedores indicam a partir de R$ 50,00 por saca de 60 Kg FOB, para embarque em julho e pagamento em agosto.
No Paraná, o mercado de milho 2025/2026 deve seguir em ritmo lento, como reflexo do desalinhamento entre as indicações de produtores e indústrias, além da redução sazonal da atividade, o que mantém a liquidez baixa no mercado spot. Os vendedores indicam R$ 75,00 por saca de 60 Kg. Os compradores indicam até R$ 70,00 por saca de 60 Kg CIF. Isso acaba prolongando o impasse e limitando o avanço das negociações, que continuam sem força para alterar o cenário atual. Na região de Cascavel, as fábricas de ração indicam R$ 56,70 por saca de 60 Kg CIF, para entrega imediata e pagamento em 30 dias. Na região de Ponta Grossa, a indicação chega a R$ 65,20 por saca de 60 Kg CIF, em iguais condições. Com relação às vendas da 2ª safra de 2026, o ritmo ainda é lento, com produtores focados na colheita e comercialização da soja. As fábricas de ração indicam R$ 69,47 por saca de 60 Kg CIF, para entrega em junho e pagamento em julho.