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19/Mar/2026

Grãos: valorização cambial sustenta preço no Brasil

O mercado brasileiro de grãos mantém preços sustentados pelo câmbio, em meio a um cenário de oferta global confortável, enquanto riscos associados ao atraso da safra e à elevação dos custos de produção passam a ganhar relevância para o próximo ciclo. A valorização cambial recente, influenciada pelo ambiente geopolítico, impulsiona as cotações domésticas de soja e milho e favorece a comercialização, mesmo diante de estoques globais elevados. No caso da soja, a produção recorde no Brasil reforça a disponibilidade, enquanto, para o milho, o balanço global também indica manutenção de estoques. Apesar do suporte de preços, o avanço da colheita de soja segue abaixo do ritmo habitual, alcançando 59% da área, frente a 69% no mesmo período da safra anterior e média histórica de 63%, com atraso concentrado em Mato Grosso.

Esse descompasso impacta o calendário da 2ª safra de milho de 2026, cujo plantio atinge 82% da área, abaixo dos 91% observados na temporada anterior. A comercialização apresenta comportamento irregular. Após um início de mês mais ativo, impulsionado pela valorização externa, o fluxo de vendas desacelera em função de entraves relacionados à qualidade sanitária das cargas destinadas à exportação, resultando em maior cautela por parte dos agentes. Até o momento, a soja registra 47% de comercialização, enquanto o milho segunda safra alcança 33,2%. O principal vetor de preocupação está nos custos de produção, especialmente nos fertilizantes.

A elevação dos preços do petróleo e do gás natural tende a pressionar os valores dos insumos, com maior impacto sobre produtos como ureia, cloreto de potássio (KCl), fosfatos (DAP e TSP) e enxofre, que apresentam elevada correlação com energia e tendência recente de alta nos preços de importação. Por outro lado, micronutrientes como molibdênio, manganês, magnésio e cobre apresentam menor exposição ao choque energético. A tendência é de aumento no uso dessas especialidades, como estratégia para otimizar a eficiência produtiva diante da possível redução nas doses de fertilizantes tradicionais. O cenário combina suporte de curto prazo via câmbio com desafios estruturais relacionados ao clima, ao ritmo da safra e aos custos de insumos, indicando maior volatilidade e necessidade de gestão mais cautelosa para a próxima temporada. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.