23/Mar/2026
Os preços do milho seguem firmes nos mercados interno e externo. No Brasil, os produtores priorizam as atividades de campo em detrimento de novas negociações, enquanto a demanda segue ativa, com compradores tentando recompor os estoques. Alguns vendedores e compradores, contudo, evitam negociar grandes volumes do cereal, diante de incertezas geradas pelo atual contexto geopolítico e das inseguranças relacionadas à logística nacional. Aqui ressalta-se que, na semana passada, notícias apontando uma possível paralisação de caminhoneiros, devido às recentes altas nos custos de transporte, em decorrência da valorização internacional do petróleo, reforçaram a posição retraída de agentes. No entanto, no dia 19 de março, após a Medida Provisória (MP 1.343/2026), que endurece as regras dos transportes de cargas, com o intuito de assegurar o piso mínimo do frete, os caminhoneiros decidiram suspender a paralisação, mas manter o “estado de greve” até que as questões pendentes sejam discutidas com o governo nesta semana.
O Indicador ESALQ/BM&F (Campinas - SP) registra avanço de 0,1% nos últimos sete dias, cotado a R$ 71,63 por saca de 60 Kg. Nos últimos sete dias, os aumentos são de 1% no mercado de lotes (negociação entre empresas) e de 1,1% no mercado balcão (preço pago ao produtor). Ainda assim, desvalorizações seguem sendo observadas em parte das regiões produtoras da safra de verão (1ª safra) da Região Sul do País, como Santa Rosa (RS) e Campos Novos (SC), de respectivos 0,4% e 0,2% (mercado de lotes), nos últimos sete dias. Na B3, os preços são pressionados pelo dólar. Os contratos Maio/2026 e Julho/2026 apresenta baixa de 4,6% e 1,2%, passando para R$ 71,87 por saca de 60 Kg e R$ 70,59 por saca de 60 Kg. Na Bolsa de Chicago, os valores do milho são impulsionados pela boa demanda pelo cereal dos Estados Unidos. Além disso, a forte valorização do petróleo neste mês também dá suporte aos preços do milho. O petróleo melhora a competitividade relativa do etanol, que é feito principalmente com milho no país norte-americano.
No entanto, as altas são contidas por preocupações com a área a ser semeada nos Estados Unidos. Com os custos de insumos como fertilizantes e combustíveis mais altos, diante do conflito entre os Estados Unidos e o Irã, a produção de milho pode ser prejudicada. O primeiro contrato na Bolsa de Chicago tem alta de 1,6% nos últimos sete dias, indo para US$ 4,69 por bushel. O segundo vencimento também reagiu, 1,3%, a US$ 4,80 por bushel. Os trabalhos de campo no Brasil, até o dia 14 de março, apesar de atrasados em relação aos do mesmo período do ano anterior, se mantêm próximos da média das últimas cinco safras, segundo os dados divulgados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Para 2ª safra de 2026, o atraso em relação à temporada passada é de 4,1%, o que deixa produtores receosos quanto às adversidades climáticas. Até o dia 14 de março, 85,5% da safra nacional havia sido semeada, semelhante aos 82,9% da média das últimas cinco temporadas.
Em Mato Grosso, a semeadura está praticamente finalizada, chegando a 99,2% da área estadual até o dia 13 de março, conforme dados do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea). No Paraná, o atraso da colheita de soja na atual safra tem limitado o avanço na semeadura do cereal, que chegou, até o dia 16 de março, a 83% da área, de acordo com o Departamento de Economia Rural (Deral/Seab). Em Mato Grosso do Sul, até o dia 13 de março, a semeadura somava 75,7%, conforme indica a Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul). Quanto à safra de verão (1ª safra 2025/2026), até o dia 14 de março, a colheita somava 34% da área nacional, em linha com os 33,1% da média dos últimos cinco anos (de 2021 a 2025), mas abaixo dos 40,1% da temporada anterior, de acordo com a Conab. No Paraná, com a colheita avançando, os produtores apontam boas produtividades; segundo o Deral/Seab, 80% da área havia sido colhida até o dia 16 de março.
No Rio Grande do Sul, a Emater-RS aponta que a colheita chegou a 68% da área estadual até o dia 19 de março e que, apesar das diferenças hídricas entre as regiões produtoras, o aumento da área levará a produção estadual para 5,96 milhões de toneladas, 3% superior à estimativa anterior divulgada em agosto de 2025. Em Santa Catarina, a colheita somava 56,1% da área até o dia 14 de março, segundo a Conab. Na Argentina, a Bolsa de Cereais de Buenos Aires apontou que a colheita chegou a 13% da área nacional na emana passada, com os trabalhos concentrados nos núcleos norte e sul do país. Por enquanto, a estimativa de produção segue mantida em 57 milhões de toneladas. Apesar do ritmo dos negócios no spot enfraquecido, os embarques de milho seguem intensos. Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), nos primeiros 10 dias úteis de março, foram exportadas 483,72 mil toneladas de milho, representando 55% do embarcado em março/2025 e com ritmo diário de escoamento 5% superior ao verificado há um ano. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.