25/Mar/2026
O mercado brasileiro de milho apresenta sustentação no curto prazo, com a formação de preços cada vez mais ancorada nos fundamentos internos, mesmo diante de um ambiente externo mais lateralizado. A dinâmica doméstica reflete a combinação de demanda ativa e disponibilidade restrita, em um cenário de incerteza sobre a evolução da 2ª safra de 2026. As dúvidas em relação ao desenvolvimento da 2ª safra de 2026 concentram-se no atraso do plantio e na possível redução da área efetivamente semeada. A expectativa inicial de 18 milhões de hectares passa a ser revista para um patamar mais próximo de 17 milhões de hectares, o que pode impactar o volume final de produção. Esse cenário reforça a precificação de risco de oferta mais apertada no mercado interno. Com isso, o comportamento dos agentes indica postura mais defensiva, com compradores ativos e oferta limitada, sustentando os preços mesmo na ausência de direcionamento externo mais consistente. O mercado doméstico passa, assim, a refletir mais intensamente os fundamentos internos, inclusive na formação de preços na B3.
Em São Paulo, na região de Campinas, a comercialização é lenta, com compradores afastados e testando níveis mais baixos diante do aumento pontual da oferta no mercado disponível. A indicação é de R$ 72,00 por saca de 60 Kg CIF, para entrega imediata e pagamento em 30 dias, sem efetivação de negócios. Para a 2ª safra de 2026, as indicações são de R$ 66,00 e R$ 66,50 por saca de 60 Kg CIF, para pagamentos em agosto e setembro, respectivamente. Também há indicações a R$ 68,00 por saca de 60 Kg CIF. Para setembro e outubro, os valores oscilaram entre R$ 66,50 e R$ 69,00 por saca de 60 Kg CIF, para pagamentos subsequentes, ainda sem negócios relevantes. A exportação opera em níveis semelhantes, enquanto o mercado interno apresenta maior competitividade, com indicações próximas de R$ 65,00 por saca de 60 Kg FOB.
Em Mato Grosso do Sul, na região de Dourados, a indicação para o milho disponível é de R$ 58,00 por saca de 60 Kg FOB, mas os vendedores indicam R$ 60,00 por saca de 60 Kg FOB, com negociações pontuais em função da baixa oferta e da concentração dos produtores na finalização da colheita da soja. Para a 2ª safra de 2026, as indicações de tradings situam-se entre R$ 54,00 e R$ 55,00 por saca de 60 Kg FOB, para embarque em julho e pagamento em agosto, enquanto os produtores indicam R$ 60,00 por saca de 60 Kg FOB. O mercado entra em uma fase de maior dependência das condições climáticas, que passam a ser determinantes para a definição do potencial produtivo e, consequentemente, da trajetória dos preços.